Contra Lula, Procuradoria reabre inquérito que um procurador já quis arquivar

Contra Lula, Procuradoria reabre inquérito que um procurador já quis arquivar

Publicado em Jornal GGN – 

Contra o ex-presidente Lula, o procurador Ivan Marx [foto] teve de reabrir um inquérito que a própria Procuradoria da República no Distrito Federal pediu para arquivar, em 2015, por falta de provas. O caso está relacionado com o Mensalão e teve início com base em uma delação de Marcos Valério, de 2012. A decisão foi imposta ao procurador pela Câmara de Combate à Corrupção da Procuradoria-Geral da República que, por sua vez, foi provocada pela Justiça de Brasília.

Segundo informações do Estadão, em 2015, o procurador Frederico Paiva solicitou o arquivamento do inquérito por entender que as declarações de Valério não foram comprovadas. A Justiça Federal de Brasília discordou e enviou o pedido para a Câmara de Combate à Corrupção da Procuradoria-geral da República arbitrar.
A Câmara decidiu a investigação deveria prosseguir e, por conta disso, o procurador Ivan Marx retomou o inquérito no início deste mês. A Polícia Federal fará novas diligências.
Segundo o depoimento de Marcos Valério, Lula e o ex-ministro Antonio Palocci tiveram um encontro com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, no Palácio do Planalto, e combinaram que uma fornecedora da operadora situada na China transferiria R$ 7 milhões ao PT.
“O dinheiro, conforme Valério, entrou pelas contas de publicitários que prestaram serviços para campanhas petistas”, apontou o Estadão.
Roberto Jefferson, pivô do mensalão, disse à época que José Dirceu havia enviado Marcos Valério a Portugal para negociar a doação da Portugal Telecom para o PT e o PTB.
Em resposta à reportagem, o advogado Cristiano Zanin disse que a decisão do Ministério Público de reabrir o inquérito é “arbitrária” e contraria manifestação de um de seus membros, que pediu o arquivamento por ausência de provas.
Ivan Marx é o mesmo procurador que instaurou inquérito contra Lula por causa da delação de Delcídio do Amaral. Na ocasião, ele ainda disse que contra o “chefe da organização criminosa”, a sociedade não deveria esperar provas cabais. Recentemente, ele mudou de postura e solicitou o arquivamento de outra apuração contra o petista, admitindo que a delação de Delcídio não tem provas correspondentes.
Nesta quinta (10), em entrevista ao UOL, Ivan Marx também aponta que a delação de Joesley Batista sobre as “contas de Dilma e Lula” no exterior é “incomprovável”. (Leia mais aqui)

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