O caso do blogueiro Ailton Medeiros, do RN

O caso do blogueiro Ailton Medeiros, do RN

Publicado no Jornal GGN – 

QUERO APENAS QUE A JUSTIÇA FAÇA JUSTIÇA: É QUERER MUITO?

A Justiça do RN bloqueou minha conta-salário no dia 17 de fevereiro. A decisão é absurda em todos os aspectos.

O motivo do bloqueio resulta de uma condenação também absurda: publiquei no blogue uma foto do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, durante visita a um shopping de Natal. Nela, Clinton aparece sorrindo cercado por dois lojistas.

Um deles resolveu me processar por danos morais. Perdi a questão. Apelei, perdi de novo.

Pela sentença da juíza Flávia Sousa Dantas Pinto, que é professora de Direito da UnP, sou obrigado a pagar 21 mil reais.

Não tenho esse dinheiro, nunca tive, dificilmente terei. O que a juiza fez? Bloqueou minha conta-salário.

Poucas coisas empobrecem tanto o direito como a sentença de certos juízes.

Meu advogado apelou da decisão, a juíza indeferiu o pedido alegando que minha conta é de investimentos porque uma parte do meu salário estava aplicada em CDB, operação realizada automaticamente (portanto sem minha autorização), pelo próprio BB.

Mesmo assim a operação não modifica em nada a natureza da conta, como explica o BB em documento anexado pelo meu advogado aos autos.

Afinal, a conta-salário é minha única fonte. É de lá que tiro meu sustento. Privado dela, é impossível sobreviver dignamente. Não fossem alguns amigos, estaria passando fome.

Mas não vou desistir de lutar. Em tempos difíceis a poesia é essencial.

Há um poema de Eduardo Alves da Costa que gosto muito desde a época de estudante. Trata-se de “No Caminho, com Maiakóvski”. Ele reflete o momento que vive o Rio Grande do Norte. Diz assim:

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

É isso. Se não agirmos rapidamente, pode ser que seja tarde. E pecar pelo silêncio quando deveria protestar, transforma homens em covardes.

E para encerrar, por hoje, reitero: Não quero ganhar causa alguma. Quero apenas que a Justiça faça Justiça! É querer demais?

Sim, porque meu negócio é jornalismo, mas o jornalismo não é meu negócio.

PS: A foto que provocou toda a celeuma também foi publicada no “Diário de Natal” como prova imagem abaixo. Nem por isso o jornal sofreu qualquer tipo de ação por parte do lojista. Todos os veículos de comunicação são especiais. Mas alguns são mais especiais que outros.

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