Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem Blogado
Além da desigual disputa nas redes sociais, terra ideal para propagação de mentiras abjetas, a esquerda voltará a viver em 2026 uma campanha sem trégua dos donos das palavras, imagens e sons que marcam o cotidiano dá população
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua grande favorito para conseguir a reeleição presidencial em 2026.
É sempre uma temeridade fazer prognóstico faltando 10 meses para a disputa, mas tudo aponta para a dianteira de Lula. A economia vai bem mesmo em cenário internacional conturbado, o barulho da rua fascista amainou e o lado de lá vive uma fase de turbulência interna. Mas Brasil é Brasil e o inesperado sempre pode aparecer. Basta lembrar o episódio da corrida de 2018, quando um maluco e uma facada em Bolsonaro mudaram o rumo do País (toc, toc, toc).
Lula, porém, enfrentará dessa vez a unanimidade dos grandes veículos de comunicação, principalmente se o seu principal adversário for o governador paulista, Tarcísio de Freitas.
É óbvio que o líder do Partido dos Trabalhadores nunca foi simpático aos barões da mídia, mas em 2022, por exemplo, não foi tão hostilizado pela grande imprensa que estava farta da ignorância genocida e sem modos de Bolsonaro, principalmente do descaso que levou centenas de milhares de brasileiros à morte durante a pandemia. Para sermos absolutamente sinceros, no mínimo a Rede Globo, por exemplo, foi mais hostil ao fascista do que a Lula. Isso é fato, não opinião.
A situação mudou totalmente. O genocida está inelegível e preso, a elite econômica, leia-se o tal mercado, acha que Lula foi longe demais com essa “mania” de justiça social, personificada, por exemplo, na exitosa batalha para tornar um pouco menos injusta a tributação do Imposto de Renda.
A não ser que o cabeça da chapa adversária carregue o sobrenome Bolsonaro, o que parece cada vez mais improvável, Lula será o alvo dos grandes conglomerados de mídia em 2026. “Chega de Lula” é a palavra que une os barões que ainda têm peso grande na formação da opinião pública.
Sim, é um equívoco avaliar que Globo, Record, SBT, Band etc não significam mais nada. Não têm o mesmo peso de 20 anos atrás, mas ainda influem no jogo, Cinco minutos no Jornal Nacional ainda fazem um estrago e tanto. O telejornal dos interesses da família Marinho ainda é fonte quase única de “informação”, leia-se na verdade manipulação, para grande parte dos brasileiros, principalmente os mais pobres.
Se a direita optar por um candidato bolsonarista que come com talher, ao contrário do genocida, não haverá tentativa de aparentar “neutralidade”, especialmente se o escolhido for o governador de São Paulo, que já conta hoje com a complacência dos grandes veículos diante de seu desgoverno entreguista e violentíssimo na segurança pública, notoriamente contra o mais vulneráveis.
Tarcísio é o candidato dos sonhos dos que moram na cobertura e os barões da imprensa estão entre esses privilegiados. O máximo de civilidade a que se permitem são algumas pequenas concessões “modernas” a pautas identitárias, mas a liberalidade, quando ocorre, para aí. Mexer no bolso, e por consequência na medieval distribuição de renda, nem pensar.
Assim, além da desigual disputa nas redes sociais, terra ideal para propagação de mentiras abjetas, a esquerda voltará a viver em 2026 uma campanha sem trégua dos donos das palavras, imagens e sons que marcam o cotidiano dá população.
Dá para superar tudo isso e ganhar a eleição, mas é caminho para a derrota achar que o caminho será tranquilo. O jogo será baixo e sem mobilização popular Lula correrá risco.







