A exploração dos jornais teve a intenção de esquentar as informações, manipulando as manchetes, sem auditar de maneira honesta os dados.
Vamos por partes.
A divulgação das movimentações financeiras de Lulinha foi obra direta do Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Em fevereiro de 2026, Mendonça autorizou o compartilhamento de dados e autos das investigações do Master com a CPMI do INSS, permitindo que documentos do inquérito, sob supervisão do Supremo, fossem enviados para uso da comissão parlamentar.
Apenas em 26 de fevereiro, a CPMI aprovou em votação simbólica e em bloco, 87 medidas investigativas, incluindo a quebra do sigilo bancário e fiscal de Lulinha.
Em 4 e 5 de março a defesa de Lulinha recorreu ao STF, pedindo a suspensão da quebra do sigilo, com base em decisão do Ministro Flávio Dino, que considerou irregular a votação em bloco da CPMI.
Portanto, não daria tempo para a CPMI receber e trabalhar os dados de Lulinha. Os dados distribuídos para a imprensa foram aqueles remetidos por André Mendonça à CPMI, com o claro propósito de driblar as restrições legais e permitir o vazamento das informações.
A exploração dos jornais – Metrópoles e O Globo – teve a clara intenção de esquentar as informações, manipulando as manchetes, sem nenhuma preocupação em auditar de maneira honesta os dados.
A manchete principal foi que Lulinha movimentou R$ 19 milhões em 4 anos e recebeu R$ 873 mil de Lula e Paulo Okamoto.
1. Esconderam a informação central, de que movimentação nada tem a ver com recebimento líquido. Suponha alguém com salário de R$10 mil mensais. Em 12 meses são R$130 mil, com o 13º. Parte do dinheiro foi “movimentado” para despesas pessoais; parte para poupança. O Metrópoles – e O Globo – anunciariam que a pessoa “movimentou” R$ 260 mil
2. Se a pessoa sacar R$ 1.000 de uma aplicação e aplicar o mesmo valor em outra, pelas contas do Metrópoles e do Globo, ela movimentou R$ 2.000,00, embora não tenha acrescentado um centavo no seu saldo.
3. O Metrópoles e O Globo analisam a movimentação nos últimos 4 anos, de 2022 a 2025. Não informam quanto havia de saldo no último dia de 2021. É como se ele tivesse começado do zero.
4. Não se preocupam em analisar a origem dos R$ 873 mil remetidos por Lula. Tivessem indagado, saberiam que fazia parte da divisão da herança de dona Marisa. Mas aí prejudicaria o escândalo.
5. Não se preocupam em saber a origem dos recursos, os negócios de Lulinha, analisar se são legítimos ou não.
Vamos a uma pequena simulação:
1. Houve R$ 19 milhões em movimentação.
2. Desse total, divide-se por 2, para não haver dupla contagem dos depósitos: cai para R$. 9 milhões.
3. Suponha que R$ 4 milhões foi de movimentação entre contas de investimento. O valor que entrou caiu para R$ 5 milhões.
4. Lulinha recebeu uma herança de R$ 873 mil. Com a dupla contagem, vai para R$174.600. Abatido do saldo, o novo valor será de R$ 2.627.000.
5. Dividido por 48 meses, dará R$54.729 por mês.
São apenas hipóteses, em cima de fatores que não foram considerados pelos jornais.
Em relação a Lulinha, pode pairar uma dúvida: se seus negócios são legítimos ou não. Em relação aos jornais, só há uma certeza: é jornalismo de quinta categoria, com o único propósito de criar ambiente para um novo golpe.
Mais dados
O leitor Luis Antonio Bambace traz considerações importantes:
“O Nassif, o salário entra na conta, sai dela para o rende fácil o fundo de rendimento diário do bb, ou vai para aplicação longa, assim só o que um assalariado gastar no dia que a grana entra, conta 2 vezes, o resto conta 4 se for gasto no mês.
Na prática divide tudo por quatro, exceto saldo de aplicação, por dois, e contas programadas para cair no dia do crédito do salário, também por dois, que são raras. O cartão de crédito vence do dia do salário vez ou outra, porque dependem de fim de semana e feriado as datas dele e do salário”.
E me lembrou de um caso importante. Na época da campanha do impeachment de Fernando Collor, foi divulgado que ele tinha uma conta corrente que movimentava milhões. Fui o autor da reportagem mostrando que os valores eram apenas a soma das reaplicações diárias, do chamado depósito remunerado. Certamente o Metrópoles, se não fosse de um aliado do Collor, daria manchete por uma semana.







