Por Moisés Mendes, jornalista, do seu Facebook
A Globo está escandalizada porque Daniel Vorcaro queria pesquisar, devassar e usar informações da vida da jornalista Malu Gaspar e do CEO do Itaú, Milton Maluhy, entre outras pessoas.
O mafioso pretendia obter dossiês, produzidos ilegalmente por um criminoso, para calar a colunista sobre o caso Master.
O que o Globo não comenta são as notícias de que Malu Gaspar obteve informações do caso Master, contra o ministro Alexandre de Moraes, de arquivos da Polícia Federal, obtidas e vazadas seletiva e criminosamente por um perito da própria PF chamado João Cláudio Nabas.
Qual é a diferença entre um caso e outro, considerando-se a postura moralista da Globo, reafirmada no Jornal Nacional dessa quinta-feira?
Para a Globo, obter e publicar informações passadas por um bandido é do jogo do jornalismo. Mas esse mesmo crime é condenável quando a vítima é uma funcionária da firma.
Podem dizer que um ministro do STF é figura pública ocupando cargo público. E que as informações sigilosas dessa figura, independentemente da forma como foram obtidas, são do interesse dos cidadãos. Mas que crime Moraes cometeu?
Podemos dizer também que interessa a todos saber qual é a relação de um jornalista com um criminoso infiltrado dentro de uma instituição federal. Por que o perito, funcionário público bolsonarista, abastecia a jornalista lavajatista, que também é uma figura pública, mesmo que em atividade privada?
A Globo tem como antecedente o vazamento do áudio criminoso que Sergio Moro repassou a alguém da organização, com a conversa do telefonema entre Dilma e Lula em março de 2016, às vésperas do golpe.
Que crime Lula e Dilma teriam cometido? Nenhum. Mas se sabe que o grampo da presidente da República foi gravado criminosamente por gente da Polícia Federal.
E o juiz sabia, porque ele é quem autorizava as escutas. Moro está impune até hoje. E a Globo continua vivendo de vazamentos seletivos contra quem considera inimigo.






