A Imprensa Corporativa Brasileira e o Show de “Barrigas”

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Por Walter Falceta, jornalista

Às vezes, é por açodamento, pressa em dar o furo. Às vezes, é por incompetência. Às vezes, por indolência. E, muitas vezes, por impulso canalha em fustigar o adversário.




Fato é que a mídia monopolista brasileira erra demais, todos os dias, disseminando desinformação dia e noite.

A falsa morte da “Japinha do CV” é apenas mais um capítulo na infausta história do jornalismo de aposta, achismo e conveniência dos barões da notícia.

Parando aqui para conversar com o gato Sócrates, lembrei de um episódio de 2004, quando a Folha de S. Paulo cismou que uma obra original de Pablo Picasso havia sido encontrada, meio que por acaso, na sede do INSS, em Brasília.

Vários veículos de imprensa correram para reproduzir a “barriga”. Depois, constatou-se que a obra não passava de uma reprodução barata, quase sem valor. A “Mulher em Branco” original seguia no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.

Da lavra de Eurípedes Alcântara, de Veja, brotou o estrondoso caso “Boimate”, em 1983. A fonte do beletrista midiático era um artigo satírico da New Scientist no Dia da Mentira.

O autor da proeza jornalística não foi demitido. E, anos depois, assumiria a liderança da revista, em sua fase mais irresponsável e reacionária.

Talvez tenha sido golpe contra a verdade menos grave do que aquele cometido por O Globo, em 1981, depois do atentado no Riocentro.

No dia seguinte, o jornal deu crédito ao comunicado do Exército, segundo o qual “terroristas de esquerda” haviam tentado explodir uma bomba durante o show musical.

Reproduziu integralmente a versão oficial sem questionar suas enormes inconsistências. A bomba, como se sabe, foi detonada dentro do carro de dois militares: o sargento Guilherme do Rosário, morto, e o capitão Wilson Machado, ferido.

Ou seja, era um atentado promovido pelos próprios militares. Pela direita, portanto, para impedir a abertura política.

Em 1997, nos deparamos com o Caso Escola Base, um erro trágico e emblemático, mais uma vez envolvendo uma autoridade policial inepta e uma turba de reporteiros negligentes.

Os grandes veículos de comunicação divulgaram acusações gravíssimas de abuso sexual contra crianças, envolvendo os proprietários de uma escola de educação infantil em São Paulo.

As teses do delegado, no entanto, se provaram totalmente infundadas e o inquérito foi arquivado. O linchamento moral e a cobertura sensacionalista causaram a ruína da reputação e dos negócios dos envolvidos.

As vidas das vítimas foram literalmente destruídas, de modo irreversível.

A imprensa nacional acabou também com a vida de Daniele Toledo do Prado que, em 2006, foi acusada de colocar cocaína na mamadeira da filha.

Ela passou 37 dias presa na Cadeia Pública de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Na prisão, apanhou por cerca de quatro horas seguidas de outras detentas.

Teve a mandíbula fraturada e uma caneta enfiada no ouvido, além de ficar com diversos hematomas no rosto. Como saldo, 85% da visão e 70% da audição direita foram comprometidas.

Laudos de três testes realizados pelo Instituto de Criminalística (IC), no entanto, comprovaram que a mamadeira não continha qualquer tipo de droga. Em 2008, a Justiça absolveu Daniele.

Nossa grande mídia não aprende. Pouco depois, em 2012, embarcou na história da “Grávida de Taubaté”, a mulher que afirmava estar grávida de quadrigêmeos.

Ninguém suspeitou da imensa barriga, do tamanho de uma bola grande de pilates. Obviamente, era falsa. Há quem diga que era uma um tipo de balão de posto de gasolina e enchimento de panos. Outros falam em uma peça de silicone.

Em 2009, famoso articulista brasileiro levantou o caso da advogada brasileira Paula Oliveira, que teria sido atacada a golpes de canivete por neonazistas.

Não era verdade. Tempos depois, o advogado da “agredida” alegou que ela “havia vivido o caso em sua cabeça, e por isso não teria tentado enganar as autoridades conscientemente”.

Nenhuma distorção, no entanto, foi tão absurda, indecente e grave como a cobertura da nefanda Operação Lava Jato.

Globo, Folha, Estadão, Veja e outros veículos ecoaram vazamentos seletivos de procuradores e da força-tarefa de Curitiba. Divulgaram, assim, uma série de informações totalmente falsas, deturpações grosseiras e narrativas fraudulentas destinadas a assassinar reputações.

Nunca houve contraponto.

A imprensa condenou antes do julgamento, em cumplicidade com promotores movidos por interesse político e um juiz parcial e notoriamente incapaz.

O ponto mais baixo dessa farsa foi a condenação de Lula pela suposta posse do triplex do Guarujá, um “crime” de corrupção que nunca existiu e que foi forjado, de forma tosca, para abrir caminho à evolução do fascismo no Brasil.

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