A Justiça é cega, mas câmeras não! Feminicida finge dificuldade para andar em júri, mas é desmascarado

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Imagens de câmeras de segurança, porém, mostraram que o acusado caminhava normalmente antes de entrar na sala de julgamento

Por Oscar de Barros, compartilhado de Pensa Piauí




Foto: José Fernando tentou enganar a Justiça

Um homem que confessou ter assassinado a ex-mulher a tiros tentou simular dificuldades para andar durante uma sessão do Tribunal do Júri no Fórum da comarca de Flores de Goiás (GO). Imagens de câmeras de segurança, porém, mostraram que o acusado caminhava normalmente antes de entrar na sala de julgamento e só passou a mancar ao chegar ao plenário.

O episódio ocorreu em 14 de agosto de 2025, data em que José Fernando Soares Meireles foi julgado e condenado a 20 anos e nove meses de prisão. Posteriormente, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) anulou o julgamento.

Os registros de vídeo mostram o momento em que José Fernando chega ao fórum andando sem qualquer dificuldade. Vestindo camiseta listrada em azul e branco, calça preta, sapatos pretos e óculos escuros, ele passa pelo detector de metais e segue normalmente até a sala onde seria realizado o júri.

Ao entrar no plenário, no entanto, o comportamento muda. O acusado passa a demonstrar dificuldades para caminhar e chega a ser auxiliado por uma mulher até a cadeira onde aguardaria a leitura da sentença.

Com a anulação do julgamento pelo TJGO, José Fernando responde ao processo em liberdade. Uma nova sessão plenária do Tribunal do Júri foi marcada para o dia 7 de maio, às 9h, no Fórum de Flores de Goiás.

Entenda o caso

De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na madrugada de 16 de julho de 2016. José Fernando Soares Meireles teria invadido a chácara da ex-esposa, Marli Lino da Silva Meireles, com a intenção de reatar o relacionamento.

Após a recusa da vítima, ele sacou uma arma e afirmou: “Se você não ficar comigo, não fica com mais ninguém”. Em seguida, iniciou uma luta corporal com Marli, chutou suas pernas e efetuou um disparo que a atingiu na cabeça.

Uma amiga da vítima, Ivonete Bezerra, presenciou o crime. Segundo a investigação, José Fernando a puxou, derrubou no chão e tentou atirar contra ela, mas a arma falhou.

Em abril de 2019, familiares de Marli formalizaram denúncia junto ao Tribunal de Justiça de Goiás. O caso foi levado a julgamento em 2025 e, em agosto daquele ano, José Fernando foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos e nove meses de prisão.

Durante a sessão, o Ministério Público de Goiás (MPGO) anexou aos autos imagens das câmeras de segurança que mostram o acusado andando normalmente no fórum e, pouco depois, simulando dificuldades para caminhar ao entrar na sala do júri.

A defesa recorreu da decisão e alegou, entre outros pontos, que os vídeos não teriam sido apresentados com antecedência mínima de três dias úteis, argumento que levou à anulação do julgamento.

Confissão

Durante interrogatório, José Fernando admitiu ter provocado a morte da ex-esposa, mas negou a tentativa de homicídio contra Ivonete Bezerra.

Segundo trecho do inquérito, o acusado afirmou que teria sido agredido por Marli e por um rapaz, dizendo ter perdido o controle da situação. Ele declarou que, ao sacar a arma, a ex-esposa tentou segurar seu braço, momento em que um disparo teria sido feito para o alto. De acordo com sua versão, o segundo tiro acabou atingindo a vítima.

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