O adeus ao mestre
Por Laerte Sarrumor, compartilhado de Construir Resistência
Profundamente consternado aqui com a notícia do falecimento de Jaques Sobretudo Gersgorin, o JAQUES KALEIDOSCÓPIO, ontem, dia 27 de julho.
Como bem lembrou o amigo Luiz Domingues, Jaques nos deixa cinquenta anos após estrear seu mítico programa Kaleidoscópio, na Rádio América AM, em São Paulo, em 1975.
Aliás, foi Luiz quem o entrevistou, em 2006, após ele estar 31 anos afastado do rádio e da mídia em geral, para a Revista Poeira Zine, do grande Bento Araujo.
E foram eles, Luiz e Bento que propiciaram o reencontro de Jaques com um microfone de rádio, para minha felicidade e honra, justamente o microfone da Rádio Matraca, quando ele participou do programa, no dia 29 de abril de 2006, no estúdio da Rádio Usp, SP.

Jaques marcou profundamente toda uma geração de amantes do Rock que se irmanavam numa mágica corrente de som e fantasia, ao escutar o Kaleidoscópio, diariamente da meia-noite às duas da manhã.
Era o único programa de rádio na época de tocava Rock de verdade, em suas múltiplas tendências e estilos, do Brasil e de toda parte do mundo.
Com seu jeito absolutamente “cool” de falar Jaques ia conduzindo os ouvintes através do som e da imaginação, com bordões do tipo “Altamente, bicho…”, “Nossa, você viu a lua hoje…”, embalado por célebres fundos musicais (links nos comentários) como “Massavilha”, da banda O Som Nosso de Cada Dia, “House Of The King”, do Focus, “Just Look Away”, da Premiata Fornieri Marconi e “Tubular Bells”, de Mike Oldfield, com a qual Jaques encerrava o programa, numa atmosfera de intensa magia.
Descanse em paz, mestre, você nos deixou como legado a sua “alta mente”.

Laert Sarrumor é um dos fundadores e vocalista da banda Língua de Trapo, conhecida por seu humor ácido e letras irreverentes, que surgiu no final da década de 1970 na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.
Nota do editor Simão Zygband – Jaques Kaleidoscópio iniciou a minha geração no Rock. Seus programas na rádio América AM eram absolutamente imperdível. Tocava as músicas que a gente não tinha acesso no Brasil. Para ouvir um Pink Floyd ou um Rollings Stones lá era o endereço certo. Jaques criou o estilo descontraído que se mantém até hoje nas rádios, evidentemente com muito menos talento que o dele.
Vá em paz, Kaleidoscópio…







