Por René Ruschel, jornalista
A crescente instabilidade geopolítica, impulsionada por potências como EUA, Rússia e China, coloca a defesa nacional como uma questão cada vez mais central.
Em países com recursos limitados surge um dilema: até que ponto é justificável investir em Forças Armadas quando as necessidades básicas da população ainda não são atendidas? Aumentar os gastos militares é a solução mais eficaz para garantir segurança?
A Venezuela oferece um exemplo emblemático. Apesar de possuir um dos maiores arsenais bélicos da América Latina, com aviões e armamentos sofisticados, o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado em sua própria casa em uma operação que durou, segundo a imprensa, apenas 42 segundos.
Esse contraste entre o poder bélico e a vulnerabilidade sugere que a quantidade de armas nem sempre é a chave para a segurança. Muitas vezes, estratégias rápidas e a inteligência têm um papel mais decisivo.
O caso da Coreia do Norte também levanta questões cruciais. O regime de Kim Jong-un, mesmo sendo um dos países mais pobres do mundo, investe entre 25 e 30% do PIB no desenvolvimento de armas nucleares.
Esse foco, embora justificado pela constante ameaça de ataque de potências como os EUA, não tem garantido a estabilidade interna nem a melhoria da qualidade de vida da população.
Pelo contrário, ao negligenciar as necessidades mais básicas de seus cidadãos, o regime mantém uma retórica nacionalista e utiliza o poder bélico para sustentar seu domínio opressor.
A questão central é: todo esse gasto vale a pena? Qual o verdadeiro custo da segurança? No contexto onde os países enfrentam problemas como pobreza, desigualdade, saúde pública precária, a obsessão por armamentos pode acabar agravando ainda mais as disparidades sociais.
Em um mundo cada vez mais interdependente, a segurança não pode ser reduzida a investimentos em Forças Armadas. Deve englobar políticas públicas que promovam a inclusão social e a sustentabilidade econômica e ambiental. Segurança alimentar, saúde e educação são tão essenciais quanto à proteção de fronteiras.
Embora a defesa militar seja necessário para dissuadir ameaças externas, ela não pode ser o principal foco das políticas nacionais.
A reflexão sobre o valor real das armas e o impacto de seus custos deve fazer parte de uma discussão mais ampla sobre o tipo de sociedade que queremos construir.
Em um mundo em constante transformação, os dilemas sobre segurança, armamentos e prioridades sociais continuam a nos desafiar de maneiras complexas, exigindo uma visão mais estratégica para o futuro.
A única guerra que a humanidade deveria travar é contra a fome, a miséria e a ignorância.
Foto: Agência AFP







