Barra Mansa (RJ): mais um espaço de Memória & Verdade

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Ao inaugurar na manhã dessa sexta-feira (03 de maio) o Museu do Trabalho e dos Direitos Humanos, o município de Barra Mansa (130 quilômetros ao sul da capital) será mais uma cidade brasileira a criar um espaço de Memória e Verdade relembrando as vítimas da ditadura militar. Vai repetir experiencias de cidades como Belém, Recife e São Paulo.

Por  Marcelo Auler, compartilhado de seu Blog




Localizado na Praça da Memória, no Parque da Cidade de Barra Mansa (Rua Roberto Silveira, s/n. – Barra Mansa/RJ), no local funcionou, entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, um dos principais centros de tortura da época da ditadura militar, o antigo 1° Batalhão de Infantaria Blindada do Exército (1º BIB). O quartel era conhecido como uma “sucursal do inferno”, onde as torturas eram praticadas cotidianamente, não apenas na perseguição aos opositores políticos.

Ali, as vítimas inicialmente eram metalúrgicos e sindicalistas da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, de Volta Redonda. Depois também foram os padres e religiosos ligados ao bispo dom Waldir Calheiros, oponentes declarados ao governo militar.

Mas a tortura estava de tal forma disseminada, que foram praticadas em 15 dos seus recrutas, Quatro dos quais sucumbiram aos maus tratos. Seus corpos, quando localizados, tinham marcas claras das sevícias que sofreram. Tudo apenas pela suspeita, jamais confirmada, de terem fumado cigarro de maconha dentro do quartel.

Errata: O Blog pede desculpas aos seus leitores pois na primeira edição dessa reportagem afirmamos que Barra Mansa era a primeira cidade a criar um museu dessa espécie. Erramos. Outras cidades ja o fizeram como ão Paulo, Belém, Recife. Nos desculpamos pelo erro.

Militares condenados por torturas O episódio acabou famoso. Foi a única vez em que se soube de a Justiça Militar condenar sete militares – das mais variadas patentes – pela prática de torturas, algo que os militares negavam ocorrer dentro de suas unidades. Em 1973, no auge da repressão política, após a condenação dos sete militares, as atividades do 1° BIB foram encerradas.

No local surgiu o 22° Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, que continuou funcionando como centro de repressão e tortura de toda aquela região sul fluminense.

Desde de 2013, com as investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), da Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) e da Comissão Municipal da Verdade de Volta Redonda (CMV-VR), além dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa da UFF-VR, foi possível relacionar 14 casos de graves violações aos direitos humanos, que constam dos relatórios dessas comissões, todos disponíveis na internet.

Desde 2016, o Ministério Público Federal, através do procurador da República Júlio José Araújo, que atuava na cidade, e a Prefeitura de Barra Mansa discutiram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com objetivo de transformar a área em um Centro de Memória Tal como ocorreu na Argentina e no Chile.

A partir de então se criou o Parque da Cidade de Barra Mansa, como área para construção de um museu dos direitos humanos, em homenagem às vítimas e sobreviventes da ditadura que por lá passaram.

Ali surge o Museu empenhado na construção de uma cultura de preservação da memória para levá-la ao conhecimento de todas as gerações, reafirmando os valores democráticos.

O Museu de Barra Mansa é o primeiro de uma série de outros que, impulsionadas por este contexto, estão sendo defendidos em diferentes cidades do Brasil. Algumas iniciativas criação de dentro de memórias como esse estão em curso em locais que abrigaram espaços de repressão política como o Deops/SP, o DOPS/RJ, o DOI-CODI/RJ e a famigerada Casa da Morte (Petrópolis/RJ).

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