Por Arcírio Gouvêa Neto, jornalista
Hoje, no centro do Rio, pude constatar o estrago que as bets estão fazendo nesse país, estrago total e irreversível. Enquanto esperava um uber, escutei a conversa de dois rapazes, aí por volta dos 15 anos e com uniforme de colégio.Um diz: “Vamos ali comer alguma coisa, estou com fome”. O outro, um tanto constrangido, responde: “Não dá, gastei o dinheiro do lanche em aposta na bet. Já gastei 200 reais essa semana. Meu pai tá p… Não sei o que eu faço. Ele não vai me dar mais dinheiro”.
Fiquei pensando no que ele quis dizer com a frase “Não sei mais o que eu faço”. Seria “Não sei mais o que eu faço pra conseguir dinheiro pra jogar ou “Não sei mais o que eu faço pra parar de jogar?” E se ele não conseguir parar de jogar? E se já estiver viciado? que poderá fazer? Roubar? Enganar o pai, a mãe, a vó? Passar fome?
Essas bets viraram caso de polícia. Estão levando pro ralo bilhões de reais. Tirando de circulação o que poderia aquecer a economia. Se já não bastassem os bilhões dos dízimos que também vão pro ralo dos paraísos fiscais.
O personagem de hoje é praticamente uma criança. Essas apostas estão totalmente fora de controle, com gente até se suicidando, desesperada com as dívidas. Alguma coisa precisa ser feita pra solucionar isso.
Fiquei preocupado com ele. Tomara que possa sair dessa e que não seja mais uma tragédia anunciada.







