Blog Tire as Mãos do Meu Pé Sujo pisou na França com nosso correspondente Luis-Felipe Kessler

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Por Washington Luiz de Araújo, jornalista

Como já afirmamos aqui, o nosso blog “Tire as Mãos do Meu Pé Sujo”, que teve sua fase áurea de 2008 a 2018, embora com os pés (sujos) fincados da Praça da São Salvador (RJ), tinha correspondente por vários cantos do mundo (mundo tem canto?). Vamos trazer um dos nossos mais assíduos correspondentes, o Luis Felipe Kessler, que nos envia matérias quentinhas ou melhor, geladíssimas diretamente da França. Vejam estes dois textos de 2009, que ainda valem, pois os pés sujos de lá, brasseries, são muito resistentes.




Sempre lembrando, o blog foi idealizado por Américo Vermelho e Washington Araújo, como balcão de resistência dos pés sujos na luta contra os moinhos das boutiques de chope.

Alê Lê Blê: Paris se curva aos pés sujos

Junho de 2008

O Felipe, nosso correspondente em Paris, envia texto quentinho feito baguete. Nosso incansável repórter na França circula por toda a cidade a procura de um pé sujo que mate suas saudades do Brasil.

Como tudo soa elegância em Paris, Felipe Kessler foi encontrar aconchego em sua vizinhança, próximo do Arco do Triunfo. Lá ele invadiu e desbravou o Au Claire de La Lune, que já ganhou do reizinho Arthur (filho do Felipe e da Luciana) o sofisticado apelido de Bar do Careca. Viaje com Felipe, o rei da cerveja de garrafa na França, pelos principais pés sujos parisienses.

Bienvenue.

Tinho Kessler, irmão do Felipe, comentou na postagem:

Pobre Felipe !
Incumbido desta sofrida tarefa de achar um pé sujo em Paris.
Ainda não achou a cerveja de garrafa, daquelas de amontoar na mesa e só tirar na hora de pagar a conta. E depois o garçom leva embora no engradado !
Présion, acho eu, é chopp!
Apesar dos nomes esquisitos, legitima comida de butiquim!
Mas tenho fé que o bravo correspondente irá revirar todos os cantos da cidade-luz até achar…
Ou morrer tentantdo!
Parabéns ao blog Mee Pé Sujo pela nobre defesa da nossa cultura.

As Loirettes, simbolo da resistência

Junho de 2008

O nosso correspondente do blog em Paris, Luis Felipe Kessler, continua sua saga pela França em busca de vestígios da resistência francesa ao fim da cerveja de garrafa.

“Podemos ficar tranquilos quanto ao pé sujo, pois aqui representados pelas Brasseries, tipicamente francesas, eles não vão desaparecer jamais. Com seus “assiettes de charcuteries” (salaminhos, queijos, patês, presuntos na tábua), suas mesas apertadas e seu ambiente noir, são tipicamente um pé sujo.

Já as nossas queridas cervejas de garrafa, estas estão na lista do mico leão dourado e da arara azul.

Por aqui a prática comum nas brasseries é a “pression” (cerveja e não chope em pressão) servida no copo.

A cerveja de garrafa é só para as importadas como a Corona, a Budweiser ou as belgas.

Nos supermercados ainda há alguma resistência, mas a cerveja em lata domina e os barriletes com cerveja “en pression” foram a moda do último verão.

Como é um país do vinho, tenho degustado os mais variados Bordeaux, Val de Loire e Borgogne. Um metier levado realmente a sério, onde as variedades e as opções de gosto e de preço são infindáveis.

Mas, mesmo em minhas viagens pelas vinhas, não perco a atenção das loiras geladas. Vejam a grande descoberta que fiz em meio as vinhas do Val de Loire!!!!

Descobri que, localmente, fabricam um cerveja que tem o sugestivo nome de Loirette.

Uma cerveja da abadia local, forte no gosto. Boa, mas antes de tudo um símbolo da resistência.

Comprei e a trouxe para casa onde devidamente a saboreei, reverenciei como um símbolo da resistência.

Em minha pesquisa pessoal, é claro com a ajuda do nosso amigo “sabe tudo” Mr Google, encontrei L’ Academie de la Biére em Paris que será meu próximo destino.”

Comentário de um Anônimo sobre o texto do Felipe. Talevz o caro anônimo não quis se denunciar à esposa por conhecer os meandros líquidos de Paris.

L’Académie de la Bière, quanta saudade! Descobri esse blog por indicação do Zé Conte e já trombei com uma citação a um dos meus points preferidos de Paris. Indo lá, minha dica é: abrace as belgas. Isso é motivo pra várias idas, aliás, mas uma vez “sur place”, eu recomeindo a Trappiste Westmalle ou, na falta (são cervas de abadia, pequena produção, nem sempre tem estoque), vá de Chimay. Pode ser a Rouge ou a Bleue, tanto faz. Uma pedrada maravilhosa. E pra acompanhar, nada mais indicado que um belo pratão de mexilhões na cerveja com fritas (especialidade belga pé sujo, com certeza), as melhores. Não esqueça da mostarda adrede.

Feliz 2009 acompanhado de uma boa loira ou ruiva ou morena gelada …

Aqui, em Janeiro de 2009, Felipe nos dá uma aula de história e de cerveja.

Chegam aos borbotões textos dos nossos correspondentes espalhados pelo mundo. É de dar água na boca, ou melhor: cerveja na boca, colaborações como a do nosso homem (opa!) em Paris, Luis-Felipe Kessler, acima na foto. Justificamos, mas apresentamos escusas aos sedentos e ávidos leitores e também ao nosso talentoso correspondente pela demora em postarmos tão valiosas dicas. Saúde!

“Em minha ultima missão comentei a resistência da Loirettes do Val de Loire e comentei que iria visitar L’Académie de La Bière. Ainda não fui, mas fui presenteado pelo comentário do Tadeu no blog.

Valeu Tadeu. Atiçou minha vontade e antes da virada do ano vou às belgas …

Mas no Natal me dei uma missão: ir ao único lugar na França onde poderíamos degustar cervejas milenares. De onde estou falando Da Alsácia, é claro.

A Alsácia trocou de mãos algumas vezes entre França e Alemanha. Oficialmente francesa a partir do tratado de Paz da Westphalia com o fim da guerra dos Trinta anos em 1648, viria a ser anexada pela Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1871 a 1918) . Com o fim da Primeira Guerra, o Tratado de Versalhes devolve a Alsácia a França.Posteriormente, foi ainda ocupada por Hitler entre 1940 e 1944.

A Alsácia, portanto, guarda em sua cultura uma forte influência germânica. Seja na comida, com seus chucrutes e Eisbeins (Jambenneaux) ou nos vinhos brancos e, é claro, o mais importante as cervejas.

Os alsacianos que, normalmente, falam Alemão e Francês reivindicam ainda sua influência da cultura francesa com a invenção do “foie gras” e a Marseillaise foi escrita na Alsácia quando da passagem de Rouget de Lisle por Estrasburgo em 1792.

Na Alsácia se fabricam as cervejas Kronenbourg, Heineken e Fischer , além de uma centena de cervejas artesanais. Tentei descobrir no google quantas cervejarias existem na Alsácia, mas não encontrei.

Encontrei algumas preciosidades artesanais, passeando pela feira de Natal na bela Estrasburgo,

como a Storky Pils (5,1%) da Cervejaria de L’Ill em Logelheim, que coloca em seu rótulo que a cerveja é feita de acordo com a lei de pureza de 1516; Ou a Bière de la Cigogne (5,6%) e ainda comprei um pacotinho de Natal contendo uma Blonde de Scharrach (6%) e 2 bières de Noël de Scharrach (6%), ambas feitas pela cervejaria Lauth em Scharrachbergheim.

A bière de Noël é uma cerveja especial feita com “ épicieries” para uma sabor mais picante e editada para o Natal. Muitas cervejarias fazem sua bière de Noël.

Ainda recomendo a cada janta degustar as cervejas locais a Fischer, que costumo tomar em Paris, ou uma mais local. Em minhas andanças gastronômicas comi um Eisbein regado a uma Mosbräu de Noël. Divina !

Portanto, prezados leitores, em viagem à França, degustar os vinhos é gratificante, mas sem jamais abandonar a bom papo no balcão das brasseries regados a um cervejinha. Ali as portas e as dicas de passeios pela cidade se abrem para vocês.

Para os aficionados a Alsácia é endereço certo para um bom chucrute regado a uma cerveja alemã,digo, francesa, ou melhor, Alsaciana. Uma cerveja feita conforme a receita original de monges e os padrões do maiores mestres cervejeiros alemães.

Desejo a todos um 2009 tomando uma gelada em um pé sujo em algum canto do Brasil ou da França.

(é claro que, enquanto escrevo, degusto uma Blonde Biére de la Cigogne (cerveja da Cegonha). Incrível o depósito no fundo do copo. Nada como uma cerveja sem conservantes).”

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