Bolsonaro não é mais problema, mas…

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Por Carlos Eduardo Alves, para o Bem Blogado

É um equívoco político devastador, até matador achar que a morte eleitoral de Bolsonaro resolve a questão para o campo popular. Os vampiros estão vivos e mais preparados. Enxergam o sangue do povo mais perto com um fascista de modos mais razoáveis.





O fracasso popular da última estrebuchada de Bolsonaro, domingo passado em São Paulo, determinou, na prática política, que o genocida não estará nominalmente nas urnas em 2026. Já estava inabilitado pela Justiça, mas o passado recente mostra que o que se chama de Justiça no Brasil atual pode mudar de opinião dependendo do vento da rua. E foi o asfalto da Paulista que decretou o fim do sonho lisérgico de Bolsonaro.

Ele repetidas e doentias vezes tentou mobilizar seus antigos fanáticos pela anistia e elegibilidade, mas com resultados cada vez mais cadentes. Não adiantou a chamada dos governadores de extrema-direita, de religiosos bandidos e a torcida de uma parte saudosa do empresariado. A antiga base do fascista cansou dessa luta específica. Não dá mais. Mas o problema para as forças progressistas não terminou. Aliás, está longe disso.


Bolsonaro está fora do jogo nominal, morreu aí, mas o bolsonarismo está vivo. Infelizmente, mais vivo do que nunca. Tarcísio de Freitas, o medíocre que governa São Paulo, tende hoje a reunir mais apoio do que aquele obtido pelo genocida em seu auge. Não tem o carisma da ignorância do antigo chefe da extrema direita, mas é muito mais palatável a setores da direita tradicional.

Tarcísio, caso confirme a provável disposição de enfrentar Lula no ano que vem, terá o óbvio apoio do fascismo que orbitava em torno de Bolsonaro e contará com ativos que seu mentor não teve em 2022. É escancarada, por exemplo, a adesão dos grandes grupos de mídia ao governador de São Paulo.

Na última eleição presidencial, sejamos honestos, a grande imprensa, como sempre, esteve longe de Lula, mas os barões da mídia também não queriam mais o fascista. As Organizações Globo, por exemplo, não podem ser acusadas, à luz da razão, de terem operado pelo genocida na campanha eleitoral. É fato, só fato.


Não enxergar que o potencial agregador, no campo reacionário, de Tarcísio é ignorar a Política. O carioca que manda no Estado mais rico, populoso é importante da Federação é o Bolsonaro que come usando talher, o “civilizado” que tem as mesmas práticas medievais do inelegível mas que não ostenta o déficit cognitivo e nem fala publicamente as atrocidades do chefe.

Essa união de direita e extrema-direita em torno de um nome “cordato” para combater Lula, além de, repita-se à exaustão, o apoio escancarado da mídia hegemônica e do dinheiro farto da elite econômica torna Tarcísio de largada muito mais competitivo no campo eleitoral.


É claro, no terreno da arena histórica e pelo retrospecto eleitoral, que Lula continua sendo o favorito. Favorito, não imbatível. Muita coisa pode acontecer nesse Brasil imponderável até outubro de 2026, também óbvio, mas governo é governo e, principalmente, Lula em campanha é sempre um fenômeno. Mas o panorama não é tão claro como em 2022.


O Brasil mudou nos últimos 10 anos, cada vez mais. Bandeiras caras historicamente à esquerda não têm hoje tanto peso como tiveram até o início do século. Sindicalismo e CLT perderam espaço, é duro mas é erro primário não reconhecer, junto à população com o discurso picareta é ilusório do “empreendedorismo”.

Lula está cercado pelo Congresso mais picareta e reacionário desde a redemocratização do Brasil. A tentativa de inviabilizar as pautas mínimas de justiça tributária são a ante-sala do que está por vir. O bando de parlamentares abutres do povo perdeu qualquer prurido. Vão todos juntos com Tarcísio alimentados pelo escárnio que atende por emendas parlamentares, que retira do Executivo o pouco que sobraria para implementação de políticas públicas que favoreceriam a maioria pobre ou miserável.

Portanto, é um equívoco político devastador, até matador achar que a morte eleitoral de Bolsonaro resolve a questão para o campo popular. Os vampiros estão vivos e mais preparados. Enxergam o sangue do povo mais perto com um fascista de modos mais razoáveis.

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