Brasil se prepara para sediar Conferência da Década do Oceano em 2027

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MCTI destaca protagonismo científico do país no evento que reunirá comunidade internacional no Rio de Janeiro, entre 7 e 9 de abril

Por Barbara Luz, compartilhado do Portal Vermelho




Foto: Com aquecimento do oceano, recifes de corais do litoral brasileiro podem ser tomados por algas | Foto: lpittman/Pixabay

O Brasil intensifica os preparativos para sediar, em abril de 2027, a Conferência da Década do Oceano, principal encontro mundial voltado à ciência oceânica e ao desenvolvimento sustentável. Em coletiva virtual nesta sexta-feira (10), a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Andrea Latgé, afirmou que a escolha do país para receber o evento é resultado do reconhecimento internacional da produção científica brasileira na área e uma oportunidade para aproximar a ciência da sociedade.

Ao comparar o impacto esperado da conferência com a mobilização em torno da COP30, Andrea destacou o papel da ciência na construção de políticas públicas e no diálogo com a população. “Eu comungo muito com essa oposição (…) a COP30 para mim foi o retrato de como [a ciência] pode chegar à comunidade geral de todos os setores, de todos os níveis de formação.”

A conferência será realizada entre 7 e 9 de abril de 2027, no Rio de Janeiro, com uma programação ampliada de atividades em toda a cidade entre os dias 5 e 9 de abril. O encontro é organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, pelo MCTI e pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O evento marcará uma nova etapa da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), voltada à implementação de soluções concretas para os desafios enfrentados pelos oceanos. Também servirá como preparação para a Conferência da ONU sobre os Oceanos de 2028, que será coorganizada por Chile e Coreia do Sul, sucedendo a edição de 2024, realizada em Barcelona.

O protagonisto brasileiro

Segundo Andrea Latgé, a escolha do Brasil não ocorreu por acaso, mas reflete décadas de investimento em pesquisa oceânica. “Essa oportunidade de nós sediarmos no ano que vem o evento da Década dos Oceanos, para mim não é uma coisa gratuita (…) foi graças a esse grau de destaque do avanço que nós temos em termos de pesquisa e de desenvolvimento das áreas oceânicas.”

Ela ressaltou que a extensão do litoral brasileiro e a diversidade das pesquisas desenvolvidas colocam o país em posição de destaque internacional. “Nós somos um país que tem uma costa enorme (…) temos realmente ciência em todos os níveis (…) o Brasil realmente é uma referência nesse tema.”

Questionada pelo Portal Vermelho sobre a liderança do país nas oito soluções temáticas que estruturam a nova fase da Década do Oceano, Latgé preferiu relativizar o termo. “A liderança dentro de ciência é uma coisa muito complicada, porque a oceanografia, em particular, é uma ciência muito internacional”, ponderou. “O que a gente pode com certeza afirmar é que nossos pesquisadores, em todas essas áreas, estão contribuindo por vários avanços, para várias modelagens, para várias fontes de conhecimento a nível internacional. O Brasil tem esse papel relevante porque ele não é um mero espectador, ele é um país que está contribuindo com a ciência de alto nível em relação à ciência oceanográfica.”

O diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro, complementou que pesquisadores brasileiros integram diretamente a construção das soluções globais. “Nós temos o professor Ronaldo Cristofoletti, da Unifesp, ajudando nesse processo, então eu não diria coordenando porque ele é um processo coletivo, mas nós temos essa participação de brasileiros”, disse. Ele mencionou ainda, com ressalva (“se não me engano”), a participação do professor Jefferson Simões, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nas discussões sobre a conexão entre os oceanos e as regiões polares.

Ciência oceânica além do litoral

Andrea Latgé também destacou que a cultura oceânica vem sendo difundida para além das cidades costeiras por meio do programa Escolas Azuis, desenvolvido pelo MCTI em parceria com o Ministério da Educação e reconhecido pela Organização das Nações Unidas. “Nós temos grupos dessas Escolas Azuis espalhados pelo Brasil inteiro (…) grupos lá no interior das cidades do Rio Grande do Sul, grupos lá no interior de Goiás.”

Segundo a secretária, ampliar o conhecimento sobre os oceanos é essencial para enfrentar problemas como as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e a poluição por plásticos, temas que estarão entre os principais debates da conferência. Ela lembrou que o ministério também desenvolve pesquisas voltadas à criação de materiais alternativos ao plástico convencional, buscando reduzir a contaminação dos ecossistemas marinhos.

Próximas etapas

Ao longo do segundo semestre de 2026, serão promovidos workshops e diálogos regionais para aperfeiçoar as oito soluções temáticas e seus respectivos planos de ação. O processo resultará na elaboração de 16 planos, sendo oito nacionais ou temáticos e outros oito regionais, que servirão de base para os debates da conferência e para a implementação de políticas públicas voltadas ao oceano até 2030 e além dessa data. Entre as iniciativas brasileiras já reconhecidas pela UNESCO está um projeto desenvolvido em Cabo Frio (RJ), além da expansão das Escolas Azuis como estratégia de educação e cultura oceânica.

Ao encerrar a coletiva, Andrea Latgé resumiu o espírito da conferência e o desafio colocado para os próximos anos: “Nós precisamos de um oceano saudável para termos saúde.”

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