Relatório lançado pela Expressão Popular mapeia o controle de mais de 100 milhões de hectares por fundos de investimento e empresas globais. Para combater essa ofensiva, a obra se baseia na experiência de povos indígenas e pequenos produtores.
Por Raíssa Araújo Pacheco, compartilhado de Outras Palavras
Dados indicam que fundos de investimento e grandes corporações controlam uma parcela crescente de territórios agricultáveis e recursos naturais no mundo, um processo conhecido como financeirização.
Estima-se que essas entidades controlem coletivamente mais de 100 milhões de hectares de terras agrícolas globalmente, uma área equivalente aos territórios da França e da Alemanha somados.
Este movimento, que transforma territórios e bens naturais em meros ativos financeiros, tem impactos diretos sobre a soberania alimentar, o meio ambiente e os direitos de comunidades tradicionais, com relatórios apontando para a aquisição em larga escala de mais de 50 milhões de hectares em países em desenvolvimento desde o ano 2000.
É neste contexto crítico que um novo documento do Grupo de Trabalho sobre Terras e Territórios do Comitê Internacional de Planejamento para a Soberania Alimentar (CIP) chega para preencher uma lacuna crucial.
Baseado na experiência direta das comunidades que estão na linha de frente deste confronto, o relatório detalha as formas concretas como o capital financeiro se manifesta nos territórios, identificando os atores envolvidos, as instituições que os apoiam e as políticas que viabilizam este processo.
Mais do que uma análise teórica, o documento serve como um guia estratégico para a ação coletiva. Cada capítulo é finalizado com um conjunto de perguntas provocadoras, desenhadas para estimular o debate e auxiliar movimentos populares a elaborarem respostas eficazes para resistir, reverter e prevenir a financeirização de seus territórios.
A publicação posiciona-se como um instrumento vital para organizações de base, ativistas e a sociedade civil que buscam não apenas compreender este fenômeno complexo, mas também contrapor-se ao poder crescente do sistema financeiro global sobre a vida das pessoas e a saúde do planeta.







