Brasileiros são finalistas de prêmio global por uso de IA na educação

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Thiago Rached, da Letrus, e Mattheus Pina, do Colégio Dante Alighieri, são finalistas do World Education Medals 2025. Seus projetos usam inteligência artificial para promover alfabetização em larga escala e ensinar ética algorítmica a jovens. A premiação reconhece impacto social na educação

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Dois brasileiros foram nomeados finalistas do World Education Medals 2025 (Medalhas Mundiais de Educação). Criadas pela empresa HP, as medalhas destinam-se a líderes, educadores e estudantes, destacando, nesta edição, personalidades que utilizam a inteligência artificial (IA) para transformar a educação e reduzir desigualdades de aprendizagem.

Thiago Rached, cofundador e diretor-executivo da Letrus, está entre os cinco finalistas da categoria dedicada a líderes do setor. Já Mattheus Pina, educador do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo (SP), figura entre os cinco escolhidos na categoria voltada a educadores.

O reconhecimento internacional ao trabalho dos brasileiros veio de Mayank Dhingra, diretor global de educação da HP. Segundo ele, as iniciativas de Rached e Pina demonstram “o poder transformador da IA para enfrentar desafios significativos na educação e na sociedade”.

Dhingra destacou que, conforme apontam pesquisas da HP, como o relatório HP Futures 2025, a inteligência artificial pode reduzir desigualdades educacionais — desde que usada de forma ética e eficaz. “Com agentes de mudança como Thiago e Mattheus, avançamos em direção a um futuro promissor. Seus esforços apontam caminhos inovadores para garantir que a educação evolua e atenda às necessidades das próximas gerações”, disse.

O prêmio celebra histórias de pessoas que, ao inovar em políticas, tecnologias ou práticas pedagógicas, inspiram mudanças e motivam outros a trilhar o mesmo caminho. As medalhas são concedidas a indivíduos que demonstram impacto, liderança e atuação ativa na promoção ética da IA para o bem social. Na edição de 2024, a diretora do Porvir, Tatiana Klix, também representou o Brasil entre os finalistas, sendo reconhecida por sua atuação na valorização da educação por meio do jornalismo e da mobilização social.

Thiago Rached: IA para alfabetização

Thiago Rached é cofundador e diretor-executivo da Letrus, uma plataforma educacional dedicada ao desenvolvimento da escrita, que combina inteligência artificial (IA) com práticas pedagógicas para apoiar a produção textual de estudantes. Desde 2017, a Letrus já impactou mais de 1 milhão de estudantes e 1.500 professores em escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

Homem de camisa branca olhando para a esquerda
HP/DivulgaçãoThiago Rached é diretor-executivo da Letrus

Com experiência como empreendedor e investidor de impacto, Rached criou a Letrus com o propósito de colocar a aprendizagem dos estudantes no centro do sistema educacional, utilizando IA de forma ética e pedagógica. O Programa de Alfabetização da Letrus analisa textos dos alunos, oferece feedback personalizado e fornece dados estratégicos para educadores e gestores, sem substituir o papel do professor.

A plataforma enfrenta diretamente os desafios da alfabetização no Brasil, especialmente o grande número de estudantes que concluem a educação básica sem domínio adequado da leitura e da escrita. Redes de ensino como as dos estados do Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso já adotaram a ferramentInscreva-se no canal do Porvir no WhatsApp para receber nossas novidades

No Espírito Santo, os estudantes atingiram os melhores resultados de redação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), e um estudo conduzido pelo laboratório J-PAL, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos), com metodologia científica de avaliação de impacto, apontou que, em apenas cinco meses, houve uma redução de 9% na desigualdade de desempenho entre alunos da rede pública e da rede privada.

Sob sua liderança, a Letrus foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com o King Hamad Bin Isa Al Khalifa Prize, prêmio internacional que celebra o uso inovador da tecnologia especialmente da inteligência artificial, para promover uma educação inclusiva e de qualidade. Professores relatam maior eficiência no processo de ensino da escrita, enquanto gestores utilizam os dados da plataforma para tomar decisões mais assertivas.

Mattheus Pina: aprendendo sobre IA na prática

Mattheus Pina é engenheiro da computação, com MBA (sigla em inglês para Master of Business Administration, uma pós-graduação voltada à gestão e inovação) em inteligência artificial e cibersegurança. Atua como educador no Colégio Dante Alighieri, onde idealizou uma experiência inovadora ao integrar um agente de inteligência artificial à simulação do modelo das Nações Unidas promovida pela escola.

Foto de perfil de Mattheus Costa em ambiente externo
HP/DivulgaçãoMattheus Pina é professor de tecnologia educacional

O agente, chamado Xia Ada Turing, foi treinado com informações fornecidas previamente pelos próprios alunos e participou dos debates em tempo real, formulando respostas estratégicas. A surpresa veio quando os estudantes descobriram que seus dados haviam sido usados como argumento, o que gerou reflexões profundas sobre privacidade, consentimento e manipulação algorítmica.

A iniciativa transformou conceitos abstratos sobre ética em IA em uma vivência concreta para mais de 100 estudantes, promovendo consciência crítica e pensamento ético entre os jovens.

Outros finalistas do prêmio em 2025

Os nomes reconhecidos neste ano mostram a diversidade de experiências e iniciativas que usam a inteligência artificial para promover mudanças reais na educação.

Na categoria Líderes, além do brasileiro Thiago Rached (Letrus), estão: Paul Atherton (Suíça), fundador da Fab AI; Mustafa Canlı (Turquia), diretor-geral de Inovação e Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação Nacional; Isabelle Hau (EUA), diretora do Stanford Accelerator for Learning, da Universidade de Stanford; e Rebecca Winthrop (EUA), diretora do Centro de Educação Universal da instituição Brookings.

Entre os Educadores, o brasileiro Mattheus Pina aparece ao lado de Jhon Alexander Echeverri Acosta (Colômbia), professor e pesquisador; Giuseppe Fiamingo (Itália), professor de matemática e física; Vineeta Garg (Índia), chefe de tecnologia da informação em uma escola pública; e Maria Ntemou (Grécia), professora de tecnologias da informação e comunicação.

Na categoria Estudantes, os finalistas são jovens de 15 a 25 anos que desenvolvem ou utilizam IA para enfrentar desafios educacionais, sociais ou ambientais. Estão entre eles: Raul John Aju (Índia), fundador da AIrealm Technologies; Albosran M. Gandawali (Filipinas), estudante da Universidade José Rizal; Arham Kidwai (Emirados Árabes Unidos), criador da iniciativa Climate Shield; Valeria Palacios Cruz (México), da Universidad Ceulver; e Ashwat Prasanna (Índia), cofundador da EyeSight.

Os vencedores serão escolhidos por uma banca internacional com base em critérios de impacto, inovação e uso ético da IA. A premiação reconhece líderes, educadores e estudantes que promovem mudanças reais na educação por meio da tecnologia. Os resultados serão anunciados em janeiro de 2026, durante o Education Leaders Forum, em Londres.

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