Publicado em Jornal GGN –
O inquérito sobre as movimentações financeiras suspeitas de Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro e amigo da família presidencial, caiu nas mãos do promotor Cláudio Calo. Segundo a revista Época, o membro do Ministério Público do Rio de Janeiro expôs nas redes sociais afinidade com o governo Jair Bolsonaro.
“Há uma semana, Calo compartilhou um tuíte de Carlos Bolsonaro exaltando a economia do governo Bolsonaro com hospedagem em Davos, e comparando os gastos à viagem de Dilma Rousseff”, publicou Época na noite de segunda (4).
“O promotor também curtiu publicações de Jair Bolsonaro. Em uma, de novembro, Bolsonaro diz que ‘por muito tempo nossas instituições de ensino foram tomadas por ideologias nocivas e inversão de valores, pessoas que odeiam nossas cores e hino'”, acrescentou a publicação.
Entre outras replicações e curtidas em páginas dos Bolsonaro, Calo ainda comentou no Twitter a situação do caso Queiroz.
Ele escreveu que o “Relatório do Coaf demonstra movimentações financeiras não necessariamente criminosas, mas anômalas, que podem configurar crime ou não”.
Queiroz foi pego pelo Coaf movimentando R$ 7 milhões em apenas 3 anos. Sem ter renda nem patrimônio compatíveis, ele viu entrar e fez sair de sua conta um total de R$ 1,2 milhão apenas em 13 meses (janeiro de 2016 e janeiro de 2017).
Nesse período, ele transferiu R$ 24 mil para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que nunca se pronunciou sobre o dinheiro. Jair Bolsonaro afirma que se trata de pagamento de um empréstimo no total de R$ 40 mil feito a Queiroz.
Queiroz recebia oficialmente salário como assessor e como policial militar. Os dois vencimentos somavam R$ 24 mil ao mês.
Além de não ter renda para movimentar R$ 7 milhões em 3 anos, Queiroz ainda recebia em sua conta parte do salário de outros funcionários e ex-funcionários da gabinete de Flávio Bolsonaro.
Queiroz já faltou a 4 depoimentos do Ministério Público do Rio, alegando, nas últimas duas vezes, problemas de saúde.
Depois de meses evitando os promotores, especula-se na imprensa que Queiroz pedirá para depor por escrito.
Flávio, por sua vez, recorreu ao Supremo Tribunal Federal para suspender a investigação e anular as provas obtidas pelo Coaf, alegando quebra de sigilo sem autorização judicial. O ministro Marco Aurélio Mello lhe negou o foro privilegiado e a investigação deve seguir no MPE-RJ.