China aproveita “desgaste” ocidental para se firmar

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Cúpula com países da Ásia e Oriente Médio e evento militar mostram interesse chinês em consolidar força global “antagônica ao Ocidente”

Por Tatiane Correia, compartilhado de GGN




Foto: Sergei Bobylev, RIA Novosti – via fotospublicas.com

Os movimentos da China em torno da articulação de uma nova ordem mundial têm incomodado os países do Ocidente, com a mídia norte-americana considerando essas ações como uma “ameaça”.

 “A mensagem de Xi (Jinping, presidente da China), com seu exercício de vários dias de soft e hard power, é clara: a China é uma força que quer redefinir as regras globais – e não tem medo de desafiar as do Ocidente”, diz a CNN norte-americana.

Entre os pontos vistos como desafio pelo Ocidente, está a recente cúpula da SCO (Organização de Cooperação de Xangai, na sigla em inglês), que reuniu mais de 20 autoridades da Ásia e Oriente Médio, com a presença inclusive dos líderes do Irã, Coreia do Norte, Índia e Rússia.

O evento também evidenciou um fortalecimento das alianças não ocidentais e a intenção da China de posicionar-se como um líder global alternativo, promovendo uma nova estrutura de segurança e cooperação econômica, especialmente para o “Sul Global”.

Além disso, a camaradagem visível entre Xi Jinping, o russo Vladimir Putin e o indiano Narendra Modi foi interpretada como um sinal claro da união de potências fora da influência ocidental.

A mensagem central do presidente chinês foi vista como um “desafio velado à ‘mentalidade da Guerra Fria’ dos EUA”, com diversas críticas às táticas de coerção e comportamento hegemônico ocidental, como as tarifas comerciais impostas pelo norte-americano Donald Trump a países aliados ou não.

Dia da Vitória

Nesta quarta-feira, a Avenida da Paz Eterna, em Pequim, vai receber um grande desfile militar com armas hipersônicas, mísseis com capacidade nuclear e drones submarinos ao lado de milhares de soldados.

O evento celebra o Dia da Vitória na China, em comemoração aos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial contra a agressão japonesa, e o desfile militar é considerado “sem precedentes” no país.

Entre os convidados, estão mais de duas dúzias de líderes mundiais favoráveis ​​à China, liderados por Vladimir Putin, e pelo líder norte-coreano, Kim Jong Un, além do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

O evento também é visto como uma forma de reforçar o orgulho nacional chinês e promover uma narrativa histórica que desafia a versão ocidental da Segunda Guerra Mundial, inclusive gerando tensão com o Japão. O Ocidente tem interpretado essa demonstração como parte da estratégia de Xi para afirmar uma nova ordem internacional que contesta a hegemonia dos EUA e seus aliados.

“Ao ceder assentos ao seu lado em um dia simbólico para a China, Xi se mostra como o único peso-pesado global que poderia ter uma chance real de pressionar Putin a encerrar sua guerra – e que não usará essa influência para jogar de acordo com as regras do Ocidente”, destacou a CNN.

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