E o que se vê é uma pessoa de bom senso, ciente dos limites e obrigações do poder público e do Supremo Tribunal Federal.
Por Luis Nassif, compartilhado de seu Blog
Foto: Jorge Messias em foto de Marcelo Camargo – Agência Brasil
Messias declarou ser “totalmente contra o aborto, absolutamente”, afirmando que “aborto é crime e nenhuma prática pode ser comemorada ou celebrada.” O tema veio à tona porque como chefe da AGU ele assinou um parecer apoiando a ação que questionava a resolução do CFM que limitava o aborto legal após 22 semanas. Para se defender, afirmou que o parecer da AGU foi estritamente técnico, e separou três coisas: convicção pessoal, posição institucional e decisão jurisdicional. Disse também que sua identidade é evangélica, mas tem clareza de que o Estado constitucional é laico. E mostrou a importância de se tratar as exceções previstas na Constituição (aborto após estupro).Play Video
Em suma, um servidor público que separou convicções pessoais da obrigação pública de servir a um estado laico.
Sobre o 8 de janeiro
Messias relatou que estava voltando do culto dominical com a família quando foi alertado pela filha sobre a invasão: “Papai, papai, estão quebrando o seu trabalho.”
Classificou o episódio como “um dos mais tristes” de sua vida e disse que adotou medidas imediatas para proteger o patrimônio público, solicitando a prisão em flagrante dos envolvidos, e enfatizou que sua atuação se limitou à defesa do patrimônio da União, sem funções de persecução penal.
Afirmou que teria prevaricado se não tivesse acionado a AGU: “Se eu não tivesse feito o pedido que fiz, eu teria prevaricado. E prevaricador nunca fui e não serei.”
Sobre as penas, disse que “o processo penal sempre carrega uma tragédia pessoal e familiar” e evitou comentar diretamente sobre a anistia, afirmando que “compete às vossas excelências, e não a mim — anistia é um ato jurídico político institucional que cabe ao parlamento.” TMC
Outros pontos relevantes
Sobre ativismo judicial, disse que o STF não pode ser o “Procon da política”, mas também não pode se omitir diante de violações constitucionais.
Defendeu postura de “nem ativismo, nem passivismo”, com autocontenção e respeito às competências dos demais Poderes, criticando a tendência de transformar o STF numa “terceira Casa Legislativa.”
Ao final, foi aprovado pela CCJ por 16 votos a 11.
O perfil
O que se vê é uma pessoa de bom senso, ciente dos limites e obrigações do poder público e do Supremo Tribunal Federal.
Qual foi o tratamento dado pela mídia à sabatina:










