Como viver bem até os 117 anos e 18 dias

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Por Antonio Vergueiro* – 

Eu, como todo mundo, pretendo envelhecer bem. Fiz minhas contas e descobri que, para realizar todos os meus planos, só posso morrer com, no mínimo, 117 anos e 18 dias.




São muitos projetos, muitas coisas, coisinhas e coisonas que devo fazer ainda. Entre as mais imediatas: terminar a escola seria bem interessante; depois, pretendo tirar um aninho antes da faculdade para viajar. Viajar é sempre bom, vivenciar novas culturas, novos conhecimentos, sempre se sai ganhando.

Como primeiro objetivo maior depois disso tudo, quero fazer Jornalismo, não penso ainda em qual faculdade, apenas na função, jornalista esportivo.

homem na estrada

Pretendo, enquanto jovem, sair para festas e cuidar dos meus amigos bêbados, pois tenho que passar por isso um dia; fazer trilhas e caminhadas enquanto minhas pernas agüentarem; quem sabe um dia me ver curado do diabetes…

Agora vem um plano bem clichê: pretendo casar e ter filhos (três filhos: duas meninas e um menino) com minha namorada. E, quem sabe, viver feliz para sempre.

Quero brigas na minha vida, sim. Não quero uma vida perfeita, um pouco de conturbação vai bem. Brigas com os filhos por motivos idiotas, talvez por não abaixarem a tampa da privada ou pela resistência em comer brócolis.

Quero uma briga colossal com o chefe também. Um dia tem que acontecer. Quero ter tatuagens, isso é certo. Já estou pensando em várias, mas quero uma marcante, para a qual não cheguei ainda a uma idéia perfeita.

Um dia pretendo ver meus filhos se formando, no que eles quiserem. Não faço questão de incentivar uma profissão a eles, o que gostarem de fazer.

Nesse período, vou envelhecendo saudável, curtindo minha vida e minha mulher (sim quero estar com a mesma mulher até o final). Quem sabe tenha netos, que vou mimar e estragar para a loucura dos pais deles.

Não serei dependente de ninguém na minha velhice. Serei um velhinho saudável (talvez dependente de uma bengala, quem sabe). Gordo até viro, careca de jeito nenhum.

Não quero ser solitário, daquele que se muda para uma casa de campo e fica lá, só lendo e jogando gamão. Estarei viajando e morando perto da minha família ate os 117. Quem sabe lançarei um livro?

Quando for a hora, Deus me livre, não quero chororô em meu enterro. Quero festa, como nas tribos africanas, onde se celebra a morte em um rito. Comemorarão pelo o que fui, rindo ao se lembrarem dos momentos bons que passamos, das brincadeiras, das brigas pelos brócolis. Assim eu serei sempre uma boa lembrança no coração de quem eu vivi.

Entre essas e mil outras coisas está resumido o meu plano de vida. Se ele será assim, difícil dizer, pois não se pode planejar e sair igualzinho como planejamos.

A vida é muito variável, cheia de mudanças, atalhos, duplos caminhos. Nunca é exatamente como pensamos.
Essa é a graça, a de poder chegar aos 117 anos, ler este texto e dizer: “Não foi assim, mas foi muito melhor.“

*Antonio Vergueiro, pelos seus cálculos, ainda viverá cerca de 102 anos e 18 dias.

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