Por Moisés Mendes, jornalista
“Uma imagem para quem ainda põe em dúvida as conexões do ativismo machista com o fascismo da extrema direita organizada e desses com todas as formas de violência contra as mulheres e com o feminicídio.
Esse é o começo da reportagem de Bruna Fantti (‘Crimes como o estupro coletivo no Rio espelham machosfera, pornografia e omissão parental’) na Folha de São Paulo:
“Ao ser preso, réu usa camisa com frase que também é mantra de coach misógino.
Ao se entregar na delegacia, o jovem Vitor Hugo Simonin, 19, acusado de participar do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro, usava uma blusa com os dizeres “regret nothing” (não se arrependa de nada, em inglês).
A frase também é um “mindset” (expressão da mentalidade) de Andrew Tate, influenciador americano-britânico, declaradamente misógino, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores. Tate é citado na série “Adolescência”, da Netflix, que aborda a influência nos jovens da chamada machosfera (comunidades online misóginas) e a omissão parental na era digital”.
O que o texto não diz, porque a grande imprensa é muito cuidadosa com a extrema direita, é que o ativista misógino é como regra um fascista que nos Estados Unidos tem conexões com o trumpismo e no Brasil, com o bolsonarismo.
Ele defende o que faz, mesmo diante da polícia, do promotor e do juiz. Mais adiante, orientado pelo advogado, irá mostrar arrependimento. Mas depois continuará solto e atacando.
É assim no mundo todo. O rapaz que não se arrepende do que fez e veste a camiseta de um influencer de extrema direita (também processado por estupro) é um pregador de violência coletiva contra as mulheres, em nome das suas liberdades. Prega na frente das autoridades.
É também o que pregam todos os que atacam Maria da Penha e a lei inspirada na sua luta. Mesmo que sejam covardes para dizer que não sabiam de nada.
O feminicídio tem método, porque depende de lastro político para manter sua essência como ideologia, no conjunto de ideias e ações violentas.
No Brasil, o lastro político do ativista misógino e violento é o bolsonarismo liderado agora por Flávio, o filho ungido, que a Folha de São Paulo tem apresentado como liberal.
Dirão que Flávio não prega a discriminação e o ódio contra mulheres. Seu pai pregava. O pregador hoje é o ativista que o apoia e se mobiliza em seu nome na internet e na vida cotidiana.
Não duvidem: essa camiseta, com versão em português, pode aparecer na campanha. E os riscos? Que riscos? Essa camiseta pode ser vendida junto com a que exalta Brilhante Ustra. Não dá nada. Só fideliza o fascismo.
(Que os mais afoitos não se dediquem a digressões falsamente filosóficas sobre o sentido da frase e suas ligações com pensadores conhecidos. Respeitem os pensadores. Essa frase quer dizer, no peito do sujeito, o que de fato diz: que ele faz o que bem entende, sem arrependimentos.)”







