Consuelita, autora de Besame Mucho sem nunca ter beijado

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Por Arcírio Gouvêa Neto, jornalista

“Besame, besame mucho/como se fuera esta noche la última vez…”. Mais da metade do mundo conhece essa música (talvez mais); o que muita gente não sabe é que ela foi escrita pela mexicana Consuelo Velásquez, que, aos 16 anos, nunca havia beijado ninguém e nem mesmo havia namorado.




Consuelita, como era carinhosamente chamada, nasceu em 1916, em Jalisco, México e morreu na capital mexicana, em 2005, aos 88 anos. Teve uma infância pobre e para livrar sua filha da miséria em que viviam, sua mãe deixou-a, com quatro anos, em um colégio de freiras e lá Consuelita aprendeu piano e teoria musical. Aos 15 anos, já era uma virtuose no instrumento.

Um dia, aos 16 anos, sentou-se ao piano e a canção desceu como vinda de uma outra dimensão, a dimensão que somente a sensibilidade dos gênios alcançam: “Foi um sonho”, diria anos depois. “Uma fantasia sobre o amor que eu imaginava… mas ainda não conhecia. Algo tão primoroso e sublime que inundava meu coração”.

Com vergonha de ser julgada (afinal, uma “moça decente” não escrevia sobre beijos naquela época), enviou a música para a rádio usando um pseudônimo. E foi como uma faísca em pólvora seca. A música explodiu da noite pro dia. Invadiu as rádios (então o grande veículo de massa). Cruzou mares. Encantou o mundo com a emoção e o intenso arrebatamento da sua letra, conquistando gerações com sua melodia.

Teve milhões e milhões de gravações em mais de 120 idiomas, que vão desde os Beatles, passam por Frank Sinatra, Andrea Bocelli, Ray Conniff, Elvis Presley e terminam na Filarmônica de Moscou.

Consuelo Velásquez foi um desses mistérios inconcebíves produzidos pela arte. “Besame Mucho” foi esse encontro grandioso e incomparável entre o amor e a genialidade, uma linha tênue e sutil que só os seres incomuns transpõem.

* Nota – Muita gente perguntando-me como foi sua vida depois do sucesso. Consuelo Velásquez foi convidada por Walt Disney para trabalhar em seus estúdios e ficou lá um bom tempo. Casou e separou. Compôs mais de 200 canções, entre elas o sucesso imortal na voz de Nat King Cole “Cachito”. Foi deputada federal no México, voltada às causas sociais. Teve fama e fortuna, mas sempre levou uma vida simples, dedicada à sua casa e à sua música.

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