“Conteúdos falsos manipulados por IA distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, diz Lula na Índia

Compartilhe:

O estadista criticou a concentração de capacidades computacionais, infraestrutura e capital em poucos países e empresas, afirmando que “quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”

Compartilhado de URBS Magna




Lula ao lado de

Lula ao lado de Narendra Modi em foto oficial do AI Impact Summit |19.2.2026| Foto: Ricardo Stuckert (veja a imagem completa abaixo)

Nova Délhi (IN) · 19 de fevereiro de 2026

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (India AI Impact Summit 2026), realizada em Nova Délhi, na Índia, nesta quinta-feira (19/fev), organizado pelo governo indiano e parte do Processo de Bletchley iniciado no Reino Unido em 2023, marcando a primeira edição realizada no Sul Global, reunindo líderes mundiais, CEOs de grandes empresas de tecnologia e delegações de dezenas de países para debater governança, segurança e impactos da IA.

Lula enfatizou o retorno do mundo digital à sua “terra natal“, recordando contribuições milenares da Índia, como o sistema binário.

Ele alertou para a dualidade da tecnologia: avanços em produtividade, medicina, serviços públicos e conectividade contrastam com riscos graves, como armas autônomas, desinformação, discursos de ódio, pornografia infantil, violência contra mulheres e precarização laboral.

O Presidente do Brasil

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, conversam durante a Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial (AI Impact Summit) |19.2.2026| Foto: ANI News

“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, declarou o presidente.

O mandatário brasileiro criticou a concentração de capacidades computacionais, infraestrutura e capital em poucos países e empresas, afirmando que “quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.

Ele destacou a apropriação de dados gerados por cidadãos de nações em desenvolvimento sem contrapartidas equivalentes e mencionou dados da União Internacional de Telecomunicações sobre 2,6 bilhões de pessoas desconectadas.

Lula defendeu regulação das Big Techs para proteger direitos humanos, integridade informativa e indústrias criativas, colocando o ser humano no centro.

No âmbito nacional, citou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2025, focado em melhorar serviços públicos, gerar emprego e renda, além de discussões no Congresso Nacional sobre marco regulatório e atração de investimentos em centros de dados.

Macron olha

Macron olha para Lula, ambos ao lado de Narendra Modi, em momento de descontração durante registro oficial do encontro na AI Impact Summit |19.2.2026| Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil participa de múltiplos fóruns, como a iniciativa chinesa para uma organização internacional de cooperação em IA voltada a países em desenvolvimento, a Parceria Global em Inteligência Artificial (do G7) e o Pacto Digital Global aprovado na ONU em setembro de 2024, que criou o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.

Lula reiterou a preferência por governança universal sob a ONU, multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento, reconhecendo diversidade de trajetórias nacionais.

O discurso ecoou a Cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro (ano passado), reforçando compromisso com democracia, coesão social e soberania.

Lula elogiou o legado indiano em ética, justiça, diversidade e inclusão como referencial para os dilemas atuais da IA.

Além do discurso, o Presidente manteve reuniões bilaterais com Emmanuel Macron, com Sundar Pichai (CEO do Google), dentre outros.

Lula

Lula

Para o Brasil é uma satisfação participar da Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial organizada pelo governo indiano, sendo esta a primeira ocasião em que se realiza no Sul Global.

Aqui em Délhi, o mundo digital retorna à sua terra natal.

Foram matemáticos indianos que nos legaram, há mais de 2 mil anos, o sistema binário que viria a estruturar a computação moderna.

Fazemos o caminho de volta para debater um dos maiores dilemas da atualidade.

Nossas sociedades encontram-se em uma encruzilhada.

A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente.

É nesse contexto que a governança global da Inteligência Artificial assume um papel estratégico.

Imagem do tweet

Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas.

A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno.

Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade.

A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes.

Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros.

Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.

Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia.

Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital.

São parte de uma complexa estrutura de poder.

Sem ação coletiva a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas.

Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas.

Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2 bilhões e seiscentos milhões de pessoas estão desconectadas do universo digital.

As estimativas mostram que, em 2030, ainda teremos 660 milhões de pessoas sem eletricidade.

Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação.

A regulamentação das chamadas “Big Techs” está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países.

O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política.

O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo.

Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente.

O Congresso brasileiro discute uma política de atração de investimentos em centros de dados e um marco regulatório de Inteligência Artificial.

O Brasil lançou em 2025 o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.

Esse plano expressa nosso compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas através de serviços públicos mais ágeis e maior estímulo à geração de emprego e renda.

Este foi o paradigma da declaração sobre Inteligência Artificial que aprovamos na Cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro no ano passado.

Esta é a postura que o Brasil adota no diálogo com outros parceiros e foros.

Participamos da iniciativa da China sobre a criação de uma Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial com foco nos países em desenvolvimento.

Dialogamos com a Parceria Global em Inteligência Artificial que nasceu no G7.

Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da Inteligência Artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.

O Pacto Digital Global que aprovamos em Nova Iorque em setembro de 2024 estabeleceu um mecanismo crucial.

O Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial é o primeiro órgão científico global sobre o tema e reúne especialistas, fatos e evidências em suas manifestações.

O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.

Imagem do tweet

A Índia, ao longo da sua história, legou à humanidade contribuições fecundas e extraordinárias em diversos campos do conhecimento: nas artes, na ciência e na filosofia.

Uma herança que traz à luz grandes dilemas éticos sobre a justiça, a diversidade, a inclusão e a resiliência.

Esse patrimônio é um poderoso referencial na busca por respostas aos desafios que a Inteligência Artificial impõe às sociedades contemporâneas.

O Bem Blogado precisa de você para melhor informar você

Há sete anos, diariamente, levamos até você as mais importantes notícias e análises sobre os principais acontecimentos.

Recentemente, reestruturamos nosso layout a fim de facilitar a leitura e o entendimento dos textos apresentados.
Para dar continuidade e manter o site no ar, com qualidade e independência, dependemos do suporte financeiro de você, leitor, uma vez que os anúncios automáticos não cobrem nossos custos.
Para colaborar faça um PIX no valor que julgar justo.

Chave do Pix: bemblogado@gmail.com

Posts Populares
Categorias