Coragem? Não! Controle do medo 

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Por Mouzar Benedito, compartilhado de Boi Tempo

“– Qué valor!” (1863), Goya. Imagem: WikiCommons.

“É melhor um covarde vivo do que um herói morto.” Ouvi muito isso durante a ditadura, de pessoas querendo “o meu bem”, me aconselhando a não fazer nada. E ficava sempre puto. Xinguei alguns caras por isso. O que eu fazia não tinha nada de heroísmo, e não me sentia “corajoso”. Enfim, o que era tão perigoso que fazia pessoas mais velhas (não todas) me aconselharem? Participava de manifestações contra a ditadura, fui dirigente de órgãos de representação estudantil, participei da imprensa alternativa (inclusive ajudei a fundar os jornais Versus Em Tempo) e visitava presos políticos, coisas que me pareciam normais e necessárias, inclusive para manter a consciência em paz.




Hoje em dia, de vez em quando alguma pessoa me pergunta se eu não tinha medo de fazer certas coisas em oposição à ditadura. Foi só a partir dessas perguntas, bem depois do fim do regime ditatorial, que pensei nisso. E concluí: tinha medo, sim. Eu não era “corajoso”, só procurava controlar o medo, sabendo das consequências de ser pego como “subversivo”: prisão, tortura e talvez assassinato.

Ah, eu me lembrei de quando participava do jornal Versus. Éramos militantes e não ganhávamos nada por isso, ao contrário, pagávamos. Contribuí com a grana que tinha para a publicação da primeira edição. O Marcos Faerman, líder do grupo, pagou muito mais do que eu. Com o dinheiro da venda da primeira edição, custeamos a segunda, e assim por diante. Mas não era isso que queria falar, e sim o possível medo da repressão.

Como trabalhávamos em outros lugares, o nosso “horário de trabalho” no Versus era a partir do final da noite e durante o dia nos fins de semana. Numa época, quando chegávamos à sede do jornal, por volta das 11h da noite, havia parada na porta uma perua C-14, o veículo usado pelos policiais do Dops. Na calçada, vários deles formavam uma espécie de corredor polonês, mas não batiam, “apenas” ameaçavam. E a gente entrava rindo. Medo? Podíamos ter, mas tínhamos que controlar. O Marcos Faerman disse um dia: “Nisso, temos que nos comportar como o povão, que acha que qualquer desgraça acontecida é porque Deus quis. Não vamos mudar de comportamento. Se formos presos, é ‘porque Deus quis’.” Maluquice? Pode ser, mas nos comportávamos assim.

Resumindo, uma época concluí que só louco não tem medo. Meio louco, eu sou, mas só meio. Lembrando dessas coisas, coletei um monte de frases sobre coragem.


Jonathan Swift: “O homem mais corajoso foi aquele que primeiro engoliu uma ostra.”

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Nara Leão (numa entrevista em que falava mal dos militares, durante a ditadura): “Sou a mulher mais corajosa que conheço. Na intimidade, podem me chamar de Nara Coração de Leão.”

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Meredith Grey: “No final das contas, o fato de ainda termos coragem de nos levantarmos já é motivo para comemorar.”

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I Ching: “A coragem dos fracos é de qualidade diferente, muitas vezes superior à dos fortes.”

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Não sei quem: “A raiva dos desesperados costuma ser mais forte do que a coragem dos bravos.”

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Sêneca: “Devemos ir procurar a coragem ao nosso próprio desespero.”

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Provérbio japonês: “Até o menor inseto tem sua própria coragem.”

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Marcello Vital (professor italiano): “É preciso ter coragem para mentir para os outros, mas é preciso muito mais coragem para mentir para si mesmo.”

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Erasmo de Rotterdam: “Duas coisas, sobretudo, impedem que o homem saiba ao certo o que deve fazer: uma é a vergonha, que cega a inteligência e arrefece a coragem; a outra é o medo, que, indicando o perigo, obriga a preferir a inércia à ação.”

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Augusto Branco: “Pervertida é aquela pessoa que faz tudo aquilo que você gostaria de fazer, mas não tem coragem.”

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Tati Bernardi: “É como Doritos Nacho. Não tenho coragem de levar pra casa, mas se tiver numa festa eu como.”

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James Callaghan: “Um líder deve ter coragem de agir contra os conselhos dos especialistas.”

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Grenda Jackson: “A única coragem que me importa é aquela que nos conduz de um minuto ao outro.”

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Michael G. Coney: “Às vezes é possível tomar a decisão corajosa quando todos os seus instintos se rebelam contra ela.”

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Provérbio cheyenne: “Que os meus inimigos sejam fortes e corajosos, para que ao ser vencido não me sinta envergonhado.”

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Jean Paul Sartre: “Quem não tem medo não é normal, isso nada tem a ver com coragem.”

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Mark Twain: “Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo.”

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Mark Twain, de novo: “É curioso como a coragem física é tão difundida neste mundo e a coragem moral tão rara.”

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Eleanor Roosevelt: “Você ganha força, coragem e confiança através de cada experiência em que você realmente para e encara o medo de frente.”

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William Shakespeare: “Pois a coragem cresce com a ocasião.”

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Ruth Gordon: “A coragem é como um músculo; fortalece-se com o uso.”

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Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”

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Winston Churchill: “A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.”

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Confúcio: “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem.”

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François La Rochefoucauld: “A verdadeira coragem está em fazermos sem testemunha o que seríamos capazes de fazer diante de todo mundo.”

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Sêneca: “A coragem definha sem um adversário.”

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Atribuída a Napoleão Bonaparte: “A bravura provém do sangue, a coragem provém do pensamento”.

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Vittorio Alfieri: “Muitas vezes a prova de coragem não é morrer, mas sim viver.”

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Anaїs Nin: “A vida se contrai ou expande em proporção à sua coragem.”

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George Konrad: “A coragem é somente a acumulação de pequenos passos.”

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Gayle Forman: “Costumava dizer que havia uma diferença entre a valentia e a coragem. Valentia era fazer algo perigoso sem pensar. Coragem era caminhar em direção ao perigo sabendo dos riscos.”

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Pascal Quignard: “A coragem é uma imprudência que teme tanto como a prudência pode temer, mas que se atreve a sair da toca, abandona sua zona de conforto, vira-se subitamente e encara o desafio.”

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Peter Ustinov: “A coragem é frequentemente falta de conhecimento, enquanto a covardia, em muitos casos, se baseia em boa informação.”

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Isabel Allende (em Violeta): “Aquelas mulheres do campo me ensinaram que a coragem é contagiosa e que a força reside na união; o que não se consegue sozinho pode-se conseguir em conjunto, e quanto mais, melhor.”

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Italo Suevo: “O medo mata mais pessoas que a coragem.”

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Ernest Hemingway: “Coragem é a elegância sob pressão.”

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Hemingway, de novo: “As pessoas mais alegres costumam ser as mais corajosas e as primeiras a morrer.”

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Eduardo Galeano: “A alegria exige mais coragem do que a tristeza. Afinal, estamos acostumados com a tristeza.”

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Anatole France: “A alegria é a forma mais amável de coragem.”

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Richard Branson: “Os corajosos podem não viver muito, mas os prudentes não vivem plenamente.”

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Voltaire: “A coragem indomável, no coração dos mortais, cria grandes heróis ou grandes criminosos.”

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Albert Camus: “Quem não tem coragem sempre tem uma filosofia para justificá-lo.”

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Gustave Flaubert: “Tenho pouca coragem, mas ajo como se a tivesse, o que talvez seja a mesma coisa.”

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Muita gente: “É melhor ser covarde na terra do que corajoso embaixo dela.”

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Não sei quem: “Nunca conheci uma pessoa corajosa com um passado fácil.”

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Alexander Vasilyevich Suvorov: “Quanto mais conforto, menos coragem.”

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Ricardo Piglia: “A coragem (…) é diretamente proporcional à vontade de morrer.”

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Franz Kafka: “Os ignorantes agem com mais ousadia.”

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Tom Clancy: “A coragem destemida é sinônimo de estupidez.”

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Conan Doyle (Sherlock Holmes): “Coragem é um termo mais brando para estupidez.”

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Dan Simmons: “O caminho mais curto para a coragem é a ignorância absoluta.”

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Marcel Proust: “Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-na com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação.”

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Jackie Chan: “Coragem sem sabedoria é perigosa.”

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Margaret Mitchel (em E o vento levou): “Seu pai era um herói, Wade. Ele se casou com a sua mãe, não é? Bom, isso já é prova suficiente de heroísmo dele.”

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Stephen King: “É mais fácil ser corajoso quando você está no lugar do outro.”

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François de La Rochefoucauld: “Não se pode atestar a própria coragem sem nunca ter estado em perigo.”

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Esopo: “É fácil ser corajoso quando se mantém uma distância segura.”

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Veronica Roth: “É fácil ser corajoso quando seus medos não são seus.”

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Franklin Jones: “Coragem é quando só você sabe o quanto está com medo.”

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Peggy Lee: “Adquiri minha coragem com Buda, Jesus, Einstein e Cary Grant.”

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Mikhail Mikhailovich Zhvanetsky: “A sorte favorece os audazes… E depois ri deles por muito tempo.”

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Zhvanetsky, de novo: “Alguns parecem corajosos porque têm medo de fugir.”

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Provérbio inglês: “Alguns são tidos como corajosos só porque tiveram medo de sair correndo.”

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Emelyan Yamagayev: “Um homem é corajoso quando permanecer covarde é mais perigoso.”

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Ditado popular: “Coragem de ladrão é maldade.”

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Bernard Werber: “Não confunda coragem com masoquismo – quem não arrisca não petisca.”

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Michel Mercier: “Ter um coração bondoso no mundo de hoje é coragem e não fraqueza.”

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Marquês de Maricá: “A bravura é taciturna, mas a covardia garrulenta.”

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Clarice Lispector (na crônica “Medo da libertação”, publicada em A descoberta do mundo): “Coragem e covardia são jogo que se joga a cada instante”.

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Tatyana Zykina: “Eu não tinha medo de nada, mas aí eu cresci e toda minha coragem desapareceu.”

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Erich Maria Remarque: “A coragem é o melhor adorno da juventude.”

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Alex Flyn: “A solidão me tornou corajoso.”

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Marcel Achard: “Se meu pai fosse corajoso, eu teria três anos a mais.”

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Eric Berne: “Você é feliz ou apenas corajoso?”


CORAGEM PARA O MEDO

“Nada é mais falso que o chavão popular dos semiformados de que já vivemos na “Era do Medo”. […] Vivemos antes na era da banalização e da incapacidade para o medo. O mandamento de ampliar nossa imaginação significa então in concreto: nós devemos ampliar nosso medo. […] Certamente esse medo deve ser de um tipo bem específico:
1. Um medo destemido, pois ele descarta aquele medo dos que poderiam nos escarnecer como medrosos.
2. Um medo vivificante, pois, ao invés de nos fazer refugiar na toca, deve nos lançar para as ruas.
3. Um medo amante, que nos deve fazer temer pelo mundo, e não somente temer aquilo que pode nos acontecer.”
— Günther Anders, “Teses para a Era Atômica” (trad. Felipe Catalani)

CONHEÇA AS “TESES PARA A ERA ATÔMICA”, DE GÜNTHER ANDERS

O inimigo do apocalipse, de Felipe Catalani
Construída em duas vozes – a de Günther Anders e a do autor –, a obra é organizada em três partes. A primeira concentra-se nas “Teses para a Era Atômica”, que são traduzidas aqui na íntegra e comentadas uma a uma. Em seguida, aprofunda a reflexão sobre o descompasso entre o avanço tecnológico e a capacidade da imaginação humana. Fecham o volume duas traduções inéditas de entrevistas de Günther Anders, em que o autor discute violência e contraviolência.

Novo título da coleção Estado de Sítio, coordenada por Paulo Arantes, “este livro vem à luz num momento histórico que torna essas ideias cruciais”, escreve Jorge Grespan no texto de orelha. A edição conta, ainda, com um posfácio assinado por Christophe David, renomado tradutor e estudioso de Anders e Adorno na França.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em coautoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2021, Editora Limiar). Colabora com o Blog da Boitempo mensalmente.

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