Por Jerlane Calheiros, compartilhado de Publica News
Foto: “Cortina de espuma”: Projeto Brief aponta robôs bolsonaristas em explosão de 600 mil menções sobre a Ypê
Uma análise publicada pelo Projeto Brief aponta que robôs bolsonaristas ajudaram a impulsionar a explosão de menções sobre a Ypê nas redes após a Anvisa suspender lotes de produtos da marca por risco sanitário. Segundo o levantamento, o termo “Ypê” passou de 2.446 menções na semana anterior para mais de 600 mil em poucos dias.
O estudo afirma ainda que, entre os dez posts de maior alcance sobre a polêmica, cinco partiram de contas com comportamento típico de robôs ou perfis falsos. A análise foi publicada pelo Projeto Brief em texto intitulado “Bolsomaster: a sujeira que o detergente não limpou”.
Projeto Brief vê operação para transformar Ypê em guerra política
O Projeto Brief afirma que a discussão sobre a Ypê foi usada como uma espécie de cortina de fumaça para deslocar o centro do debate público. O caso sanitário, segundo a análise, passou a ser tratado pela extrema direita como perseguição política contra uma empresa associada ao bolsonarismo.
A Fórum mostrou que a crise começou depois que a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes, sabão líquido e desinfetantes da Ypê de lotes com numeração final 1. A decisão abriu uma disputa política nas redes, explorada por bolsonaristas.
De acordo com o levantamento, os perfis que puxaram parte relevante da repercussão tinham características comuns de contas inautênticas. Entre os sinais apontados estão nomes genéricos, alto volume de publicações, imagens neutras de perfil e dedicação quase exclusiva a pautas bolsonaristas.
Robôs bolsonaristas inflaram caso da Ypê, diz análise
Segundo o Projeto Brief , a onda artificial sobre a Ypê ganhou força no mesmo ciclo em que o debate sobre o chamado “Bolsomaster” mobilizava as redes. A análise sustenta que a polêmica do detergente ajudou a deslocar a atenção para uma pauta de maior apelo emocional e menor custo político para o bolsonarismo.
A Fórum também revelou desdobramentos da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio às suspeitas envolvendo recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
O texto do Projeto Brief afirma que influenciadores e políticos bolsonaristas passaram a posar com produtos da Ypê depois que a conversa já havia sido impulsionada por contas com comportamento automatizado ou falso. Para o Brief, a operação criou a aparência de uma indignação espontânea.
Anvisa apontou risco sanitário em produtos da Ypê
A crise da Ypê começou em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu a fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso de produtos da marca. A decisão atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a agência, a medida foi tomada após avaliação técnica de risco sanitário. A Fórum mostrou que a fiscalização apontou um quadro crítico de risco sanitário elevado na fábrica da Ypê com falhas graves em etapas do processo produtivo.
A agência informou que os problemas comprometiam requisitos de Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicavam risco à segurança dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica por microrganismos patogênicos.
Ypê virou munição política para bolsonaristas
Depois da decisão da Anvisa, bolsonaristas passaram a tratar o caso como suposta perseguição política contra a marca. A Fórum mostrou que deputados, influenciadores e apoiadores de Jair Bolsonaro transformaram produtos da empresa em símbolo de enfrentamento ao governo federal.
Em um dos episódios, o deputado Sargento Fahur apareceu usando detergente da marca em vídeo publicado nas redes. A Fórum também mostrou como a Ypê foi convertida em uma espécie de “nova cloroquina” da extrema direita, com bolsonaristas estimulando o uso político dos produtos.
Empresa anunciou reembolso a consumidores
Após a suspensão, a Ypê passou a orientar consumidores sobre os produtos atingidos pela medida sanitária. A Fórum publicou que a empresa começou a reembolsar clientes que compraram produtos afetados pela decisão da Anvisa.
A empresa afirmou que respeita as decisões da agência reguladora e que segue colaborando com as autoridades sanitárias. A orientação é que consumidores não utilizem os produtos abrangidos pela medida até nova deliberação.
FONTE: História de Diego Feijó de Abreu







