Corumbaense, o polêmico e consagrado Yustrich não é lembrado na sua cidade

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“Homão” é o nome do livro-reportagem sobre a vida do treinador, lançado em agosto

Por Silvio de Andrade, compartilhado de Campo Grande News




Foto: Yustrich teve várias passagens pelo Atlético Mineiro e encerrou carreira em 1985. (Foto: O Estado de Minas)

Corumbá não se lembra de seu filho ilustre, nem na memória dos moradores nem em registros de logradouros públicos, como uma rua ou um espaço esportivo que leve seu nome. Tendo morado, durante grande parte de sua trajetória, no Rio de Janeiro, Yustrich teria cultivado amigos na cidade, mas as informações são vagas. O Campo Grande News ouviu pessoas e fez um levantamento, inclusive com a ajuda das rádios locais, mas ninguém se apresentou como parente remanescente de sua família.

Revista Placar anuncia a volta do treinador ao América Mineiro: paz, amor e suor. (Foto: Reprodução)

Depois de uma carreira de relativo sucesso como goleiro, passando pelo Flamengo e pelo Vasco, onde pendurou as chuteiras em 1945, o grandalhão (tinha 1,90 m de altura) fixou residência em Belo Horizonte. Montou uma oficina, tornou-se policial e representante comercial e, tempos depois, estreou no América Mineiro como treinador, conquistando o Campeonato Mineiro de 1954.

Sem limites — A partir de então, escreveu sua folclórica e controvertida história pregando uma filosofia de trabalho apoiada em dois pontos básicos: disciplina rígida e uma preparação física intocável. Dirigiu grandes clubes como o Atlético Mineiro, Porto (Portugal), Vasco da Gama, Flamengo e Corinthians. Encerrou a carreira no Villa Nova (MG), em 1985, e viveu no anonimato, na capital mineira, voltando ao noticiário quando faleceu, em 15 de fevereiro de 1990.

Goleiro do Flamengo, em 1942: melhor fase da carreira, com quatro títulos. (Foto: Reprodução)

Em agosto deste ano, Yustrich ganhou uma biografia do jornalista gaúcho José Luiz Costa, ganhador do Prêmio Esso. O livro-reportagem resgata a trajetória de um dos mais polêmicos personagens do futebol brasileiro e detalha um ser humano “durão”, brutalizado por uma tragédia familiar na adolescência. Não conhecia o significado da palavra “limite” e conquistou com a mesma intensidade amigos e inimigos entre atletas, dirigentes e a imprensa.

“Yustrich foi insuperável na arte de arrumar encrenca. Entre 1930 e 1980, ninguém do meio esportivo se meteu em tantas controvérsias. Discussões, ameaças, brigas, socos, tiros e prisões fazem parte desse currículo, iniciado como modesto goleiro e consagrado como um grande treinador”, escreveu o autor de “Homão”. “Pavio curtíssimo, explodia de raiva por problemas banais na mesma velocidade em que caía em prantos por simples compaixão.”

Apesar de rude, era um verdadeiro “paizão” para os jogadores, ao bater de frente com os dirigentes. (Foto: Reprodução)

Morte dos pais — De família alemã, Yustrich — apelido que dá nome ao livro “Homão” — tinha 13 anos quando chegou ao Rio de Janeiro, onde foi entregue aos tios, que ficaram responsáveis por sua criação e educação após a morte dos pais, Solano (comerciante em Corumbá) e Anna, vítimas de tuberculose. No Rio, Yustrich, que ganhou o apelido pela semelhança física com o goleiro argentino Elias Yustrich, tentou a carreira de atacante até encontrar a posição de goleiro e foi contratado, em 1935, pelo Flamengo.

O biógrafo encontrou poucos registros sobre os Knippel, mas consta que o mais ilustre antepassado foi Addão, presidente da Câmara de Vereadores de Corumbá (1909-1911), ex-combatente da Guerra do Paraguai. Outro parente conhecido na cidade foi Luiz Knippel, dono do jornal O Commercio e de uma tipografia. Longe dos holofotes e das polêmicas, Yustrich enfrentou problemas financeiros e morreu sem saber de sua doença: câncer na próstata.

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