Covid-19: em ambiente virtual, arte real para aliviar a dor

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Por Carla Lencastre, compartilhado de Projeto Colabora – 

Em quarentena, grandes artistas como o guitarrista Brian May e o ator Patrick Stewart inovam nas redes sociais com aulas de músicas e leituras de sonetos

Brian May, Patrick Stweart, Yo-Yo Ma e Anthony Hopkins: arte em tempo de crise (reprodução)

Com um terço da população mundial em quarentena, grandes artistas brasileiros e estrangeiros, todos com apresentações canceladas e a maioria também confinada, estão fazendo shows ao vivo na internet. Porque todo artista tem que ir aonde o povo está. São muitas as boas opções de concertos on-line, seja em redes sociais ou outras plataformas, para a hora do recreio virtual. Alguns vão além, inovando, sendo generosos, promovendo o bem-estar e tentando manter a sanidade com ideias surgidas nestes dias estranhos. Usam vídeos curtinhos, que dá para assistir entre uma lavada de mão e uma passada de pano com álcool.




Um dos exemplos de maior êxito no momento é o de Brian May, do Queen. O guitarrista da banda de rock britânica inovou e está ensinando no Instagram, onde tem 2,3 milhões de seguidores, como tocar na guitarra alguns trechos dos sucessos cantados por Freddie Mercury. O projeto de Bri, como assina seus posts na rede social, começou em 19 de março e chama-se MicroConcerto. A apresentação acontece sempre na mesma sala, com Bri descontraído (de bermudas, alternando camisetas pretas com incríveis camisas coloridas, que atraem tanta atenção dos seguidores quanto a música), às vezes usando óculos de grau, com uma guitarra diferente a cada dia e um copo de vodca tônica ao lado. A sensação ao assistir é de que o astro do rock está sentado no sofá ao seu lado, tocando somente para você.

A aula de “Bohemian Rapshody” teve mais de 379 mil visualizações. Mas, por enquanto, o recorde está com “Keep yourself alive”. Bri até canta, o que ele não faz nas apresentações não virtuais da música, e a primeira parte do vídeo (há duas versões) teve mais de 460 mil visualizações. Às vezes as explicações durante o microconcerto são mais detalhadas, outras vezes ele apenas toca um trecho do solo de guitarra, com a câmara sempre voltada para as cordas do instrumento e o movimento das mãos. Ferrenho defensor do isolamento social para quem pode ficar em casa, Bri também expõe suas preocupações humanitárias entre um acorde e outro. Os microconcertos estão disponíveis no Instagram @BrianMayForReal

Quem prefere estilo musical diferente encontra outro modelo inovador de concerto na conta de Yo-Yo Ma. Um dos maiores violoncelistas atuais, ele há tempos usa em seus projetos a hashtag #CultureConnectUs (“a cultura nos aproxima”). Desde o dia 13 de março Ma escolheu apresentar músicas que o acalmam, com a hashtag #SongsOfComfort, já adotada por outros músicos. Teve Bach (em 16 de março, dedicada aos profissionais de saúde e com mais de 198 mil visualizações no Instagram e 1,2 milhão no Twitter), Dvořák, Saint-Saëns… Yo-Yo Ma está sempre elegantemente vestido, e a cada dia faz o pequeno concerto virtual em um lugar diferente da casa. Seu Instagram e Twitter é @YoYoMa

Já Sir Patrick Stewart, o eterno capitão Jean-Luc Picard de “Jornada nas estrelas”, audaciosamente indo aonde homem nenhum jamais esteve, criou algo ainda mais sofisticado: leituras diárias de sonetos de Shakespeare. É em inglês, e em inglês do século XVI, porém a generosidade da interpretação claríssima do ator britânico de formação shakespeariana vale a sua atenção. Com roupas informais como Brian May (mas ainda não apareceu de pernas de fora) e a cada dia em um lugar da casa, como Yo-Yo Ma, sempre com a câmera fechada nele, parece que Sir Patrick declama apenas para você, olhos nos olhos. O projeto também tem nome e hashtag, #ASonnetADay. O primeiro soneto, lido em 21 de março, já teve mais de 438 mil visualizações no Instagram e 1,4 milhão no Twitter. Seu Instagram, com 1,6 milhão de seguidores, e Twitter, com 3,3 milhões de seguidores, é @SirPatStew


Outro grande ator britânico, Sir Anthony Hopkins, tem escolhido destacar seus talentos diversos. Atualmente em cartaz na Netflix em “Dois Papas’, filme pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante este ano, Sir Anthony tem passado a quarentena tocando piano, pintando e expondo suas telas coloridas para seus seguidores. O concerto para piano ele disse que era para entreter o gato, Niblo. O 1,2 milhão de visualizações no Instagram e os 3,7 milhões no Twitter confirmam que a população felina mundial aproveitou o breve momento (dura menos de um minuto) de beleza virtual (a da música e a de Niblo). Seu Instagram, com 1,8 milhão de seguidores, e Twitter é @AnthonyHopkins


Nesta lista não poderia faltar um nome no qual arte e ativismo estão sempre juntos: Bono Vox. O compositor e vocalista do U2 fez o que não fazia desde 2017: cantou e tocou uma música nova da banda irlandesa. “Let your love be known” não é uma canção qualquer. Criada nos primeiros dias da pandemia, inspirada pelos italianos (“Cante como um ato de resistência”, diz um dos versos), fala sobre as dores do isolamento social. Bono inovou também na apresentação: de sua casa em Dublin, no dia de São Patrício (18 de março), o santo padroeiro dos irlandeses, cantou e tocou a nova música no Instagram @u2, com 2,2 milhões de seguidores. Apenas na primeira semana a nova canção teve mais de 707 mil visualizações no Instagram e mais de 64 mil no canal da banda no YouTube.

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