Foram 45 votos favoráveis à recondução e 26 contrários, Gonet foi questionado sobre investigação da trama golpista
Por Lorenzo Santiago, compartilhado de BdF
Foto: Gonet defendeu atuação da PGR e disse que órgão não tem bandeiras partidárias - Edilson Rodrigues/Agência Senado
O Senado aprovou nesta quarta-feira (12) a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para mais um mandato. Ele recebeu 45 votos favoráveis e 26 contrários. Gonet foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ficará na PGR até 2027. A aprovação foi contestada pela extrema direita, que é o principal grupo atingido pelas acusações do órgão nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022.
Ele precisava de 41 votos para a recondução. Durante a manhã, Gonet passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) e recebeu 17 votos favoráveis e 10 contrários. Na ocasião, ele recebeu críticas pela posição nas investigações contra a trama golpista.
O PGR é responsável pelas denúncias contra os autores da tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023, que geraram a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado. A condenação do ex-mandatário foi determinada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou também improcedente os recursos da defesa até o momento. Além dele, Gonet pediu a condenação de mais 24 réus ligados ao núcleo central da trama golpista, e a outros dois núcleos.
Uma das críticas mais duras veio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O congressista disse que Gonet não é responsável pela condução dos trabalhos do Ministério Público Federal, mas que atende interesses do ministro do STF Alexandre de Moraes. Além disso, o filho do ex-presidente afirmou que Gonet é uma “vergonha” para a classe.
O procurador respondeu que o trabalho da PGR “não tem bandeira política” e afirmou que tem compromisso com o “regime constitucional e legal”. Gonet também reforçou que o órgão tem uma atuação com rigor e não escolhe quais crimes são investigados ou não.
“Não há criminalização da política em si. Sobretudo, a tinta que imprime as peças produzidas pela Procuradoria-Geral da República não tem as cores das bandeiras partidárias”, disse.
Gonet também ressaltou que recebeu o apoio do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Schettino, e que a instituição representa 1.100 integrantes do Ministério Público Federal (MPF), o que garante um apoio majoritário da “classe” a seu favor.
A margem foi mais apertada que a última votação do PGR. Em 2023, ele recebeu 65 votos favoráveis e 11 contrários. Mesmo com a resistência da extrema direita, a aprovação não foi uma surpresa. Partidos do Centrão, como o MDB e o PP, apoiaram a recondução de Gonet.
A votação desta quarta-feira foi resultado dos “esforços concentrados” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já que parte dos congressistas estão em Belém participando da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Editado por: Maria Teresa Cruz







