Cuba, a ilha que brilha, apesar dos apagões constantes

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E o doutor em Literatura Cícero César Sotero Batista, na coluna “A César o que é de Cícero”, homenageia Cuba em razão da ida deste editor (Washington Araújo) àquela Ilha, que vive seu momento mais difícil, vítima da opressão do seu vizinho e algoz Estados Unidos.

Beija-Flor, 27 de abril de 2026.




Prezado editor,
Este texto que segue foi escrito em virtude de seu aniversário, que será no dia 3 de maio. Fico contente com a sua decisão de passar seu aniversário em Cuba. É o momento muito oportuno de visitar a ilha dos nossos amores e de nossas conquistas. Vai-se a Cuba como quem vai a Meca.


É porque o momento urge. O embargo imposto a Cuba pelos Estados Unidos exerce sobre muitas pessoas um inadiável desejo de justiça – enquanto não vem a reparação. Se deixaste de brilhar, minha estrela, isto não quer dizer que não foste grande. Mas ainda não é hora de lamentações, mas de luta.

Cuba, a Paquetá do Caribe?


Cuba precisa de nós, precisa de todos aqueles que acreditam em um mundo mais justo, que arregaçam as mangas, que soltam a voz pelo que desejam para todos, para muitos.
Cuba, das águas cristalinas do Caribe. Cuba, tão perto dos Estados Unidos. Cuba, a ilha que parece um Charuto.


Cuba, a cigarilha. A Revolução Cubana povoa imaginário de nossa América Latina. Quem nasceu talvez em um período que vai da década de 1950 até a de 1970 que o diga. E quem é de esquerda nessas trincheiras? Eu quero a estrela da manhã, meus amigos e inimigos. Saibam que Cuba enfrentou a tudo e a todos. Cuba foi além de Fidel Castro, além de Che Guevara, além de Raul Castro. Cuba brilha, apesar dos apagões constantes.


Quantos filmes eu vi de Cuba? Seja como for, poderia ter visto mais filmes. “Cuba and the Cameraman” (2017), que está na Netflix, “Morango e Chocolate” (1993), meu primeiro filme cubano. Mais delicioso do que um charuto, mais delicioso que qualquer sorvete de abacaxi. “Buena Vista Social Club” (1999), filme que meu irmão aplaudiu de pé. E o belíssimo filme de uma professora em Cuba às voltas com um aluno difícil, “Numa Escola de Havana” (2014).


Falemos dos esportes olímpicos de Cuba, uma ilha pequenina que gerou tantos esportistas bons. Era impressionante. A rivalidade entre as cubanas e as brasileiras no vôlei feminino (Salta, Chica!), o atletismo, o boxe, o baseball, a própria bandeira de Cuba, o mar, a onda batendo na estrada, os carros velhos de tempos de ontem.


Estamos em Cuba. O que vai trazer o progresso à luz, o embargo? Como não deixar que o povo cubano decida o que de fato quer, o que sabe e também o que não sabe? Ele não quer abrir mão das conquistas que alcançou. Quer abrir mão da educação, da saúde? Duvideodó! Ele quer riqueza material, quer conforto, quer carne na mesa, quer comida, quer descanso, quer viver em paz.

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Mas será que o povo cubano permitiria de mão beijada que a livre iniciativa transformasse parte de Cuba em um imenso exótico resort para que os ricos, que não são cubanos, pudessem frequentar e admirar as águas cristalinas em segurança?


Enfim, Cuba, Cuba, Cuba para sempre. Até a vitória, Cuba, Cuba, Cuba. Os idiotas vociferam aos quatro ventos: “Tá com pena? Vai para Cuba!” Onde eu gostaria de estar agora? Em Cuba. Gostaria de estar com aquela gente que, de fato, também é a minha, de andar por aquelas ruelas que lembram não somente Havana, mas Salvador, o centro de uma cidade velha.


Eu não conheço Cuba. Eu nunca pus os pés em Cuba, para minha infelicidade. Havana velha, Recife antigo, meu coração. Santa Teresa, Cuba, os galpões, a música, descer por Santa Teresa e bater em Cuba, beber água do mar, sorrir mojitos, ouvir música, contar história pesqueira e piscar para furacões, homem negro, homem mulato, chapéu.


Os que odeiam Cuba querem retirar dela aquilo que não se tira de ninguém: a dignidade, a dignidade do povo cubano, a força do povo cubano. Os imensos porões das prisões, Guantanameras. O amor que é capaz de construir é capaz de defender. Defenderei com minha razão a cidadela cubana. Defenderei. Defenderei.


De que modo sutil me trouxeste a lume todas as flores de abril? E ainda não chegamos a maio.

Sobre o autor

Radicado em Nilópolis, município do Rio de Janeiro, Cícero César Sotero Batista é doutor, mestre e especialista na área da literatura. É casado com Layla Warrak, com quem tem dois filhos, o Francisco e a Cecília, a quem se dedica em tempo integral e um pouco mais, se algum dos dois cair da/e cama.

Ou seja, Cícero César é professor, escritor e pai de dois, não exatamente nessa ordem. É autor do petisco Cartas para Francisco: uma cartografia dos afetos (Kazuá, 2019),  Circo (de Bolso) Gilci e está preparando um livro sobre as letras e as crônicas que Aldir Blanc produziu na década de 1970.

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