Por Luís Filipe de Lima, músico, jornalista, ator e diretor teatral brasileiro (texto extraído do Facebook) –
Era 1980, eu tinha 13 anos e – imagina só – comecei a ensaiar uma peça de teatro em que eu era filho da Fernanda Montenegro e do Fernando Torres. O diretor era o Paulo José, que eu já conhecia desde bem criança, era amigo da família.
Paulo e Dina moravam no Leblon naquele tempo, então durante os três meses de ensaio eu pegava carona quase sempre com ele – nas primeiras semanas até a casa da Fernanda, no Jardim Botânico, depois até os estúdios da TV Tupi, na Urca, que tinha acabado de fechar, por fim no Teatro Ginástico, onde a peça estreou.
Era o tempo áureo da fita cassete, íamos no carro ouvindo muita música instrumental – de Vivaldi e Mahler até Coltrane, passando por Jacob do Bandolim -, som entremeado por histórias que ele contava sobre Lavras do Sul, sua cidade natal, e ensinamentos sobre cinema e teatro disfarçados de comentários aleatórios.
O motorista era também um ouvinte atento e interessado, mesmo que o interlocutor fosse um fedelho púbere. Paulo José foi uma das pessoas mais inteligentes, generosas e positivas que conheci.
Grande artista, grande figura humana, desses que a gente não encontra a cada esquina. Faz uma falta danada, sobretudo nesses tempos em que a inteligência, a generosidade e a positividade andam desprezadas por muita gente.
Viva Paulo José!







