Além do patrimônio, outro dado que teve crescimento expressivo na vida do secretário de segurança foi a letalidade policial
Por Julinho Bittencourt, compartilhado de Fórum

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), está construindo uma mansão avaliada em pelo menos R$ 3 milhões em um condomínio de alto padrão na cidade de Porto Feliz, interior paulista. A obra, que inclui materiais nobres como R$ 140 mil em madeira cumaru — espécie amazônica conhecida pela resistência e valor estético —, chama atenção pelo contraste com o patrimônio declarado por Derrite nas eleições de 2022, que somava R$ 812 mil.
A residência terá 440 m² de área construída, com piso, portas e acabamentos em madeira, além de janelões de vidro, porcelanato e piscina no jardim. O projeto segue um estilo contemporâneo de linhas retas e inclui um segundo andar todo em madeira. A casa está sendo erguida em um terreno de 800 m², adquirido por R$ 475 mil à vista, em junho de 2023.
A informação é uma apuração do Metrópoles. Segundo o site, o custo total da obra — somando terreno, projeto arquitetônico, materiais e mão de obra — gira em torno de R$ 3 milhões. O valor supera em mais de três vezes o patrimônio que Derrite declarou à Justiça Eleitoral quando foi reeleito deputado federal, em 2022.
Em julho de 2023, um mês após a compra do terreno, Derrite vendeu um apartamento na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, por R$ 650 mil. Atualmente, imóveis prontos com padrão semelhante ao da nova casa do secretário são anunciados por até R$ 4 milhões na região.
A assessoria da Secretaria da Segurança Pública foi procurada pela reportagem na manhã de segunda-feira (30/6), mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.
Condomínio de alto padrão e reduto eleitoral
O condomínio onde Derrite constrói sua nova residência oferece estrutura de lazer digna de resort de luxo, com quadras de tênis, piscina semiolímpica coberta e aquecida, academia e um grande lago a poucos metros da casa. O local é um dos mais valorizados de Porto Feliz, cidade apelidada de “Hamptons paulista” por abrigar hotéis e condomínios frequentados por milionários.
Além de refúgio para os endinheirados, Porto Feliz é também um reduto político do secretário. Ele tem laços estreitos com o prefeito da cidade, Célio Peixoto (Republicanos), que recentemente exaltou a atuação de Derrite na implantação do programa de segurança “Muralha Paulista” — um sistema de monitoramento com câmeras e reconhecimento de placas de veículos.
Relações com empresários do alto escalão
A vida pessoal de Derrite também vem despertando atenção pelas conexões com empresários influentes. Em dezembro de 2023, o secretário viajou de Brasília a São Paulo em uma aeronave operada por empresas ligadas aos empresários José Romano Netto (Zeca Romano) e Sérgio Comolatti. Zeca Romano, que atua em diversos setores ligados ao poder público, integra o conselho da Mondopass S.A., empresa com participação na Autopass — responsável pela bilhetagem do transporte público na Grande São Paulo.
Em outubro do mesmo ano, Derrite viajou à Sicília, na Itália, durante uma licença do cargo. A ocasião coincidiu com o casamento da irmã de Zeca Romano. Segundo a revista Piauí, a estadia do secretário no luxuoso hotel Four Seasons — cenário da série The White Lotus, da HBO — foi custeada pela mãe do empresário.
As conexões e o novo estilo de vida de Guilherme Derrite levantam questionamentos sobre a origem dos recursos e os vínculos entre sua atuação pública e interesses privados.
Letalidade policial
Enquanto avança a construção de sua nova casa em um dos condomínios mais exclusivos de São Paulo, Derrite enfrenta uma onda crescente de críticas devido ao aumento expressivo da letalidade policial durante sua gestão.
De acordo com dados do Ministério Público, apenas em 2024, policiais militares foram responsáveis por 737 mortes no estado — um aumento de 60,2% em relação ao ano anterior e de 86% se comparado a 2022. A escalada da violência policial ocorre sob o comando direto de Derrite, que assumiu a pasta no início do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Um dos episódios que mais chocaram a opinião pública ocorreu no final de 2024, quando o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas 4 anos, foi morto durante uma ação da Polícia Militar em Santos, no litoral paulista. O caso gerou comoção nacional e pressão por investigações rigorosas. Mesmo assim, à época, o secretário saiu em defesa dos policiais envolvidos, o que gerou protestos de organizações de direitos humanos e familiares da vítima.
Outro lado
A assessoria do secretário derrite prociurou a Fórum e enviou a seguinte nota:
“Todas as aquisições patrimoniais realizadas por Guilherme Derrite e por sua família são plenamente compatíveis com a renda declarada ao longo de sua trajetória, fruto de cerca de 20 anos de trabalho e economia familiar. Todos os bens foram adquiridos com recursos próprios e dentro da legalidade, conforme registrado junto às autoridades competentes.
O terreno onde está sendo construída a casa mencionada pela reportagem foi comprado com recursos obtidos pela venda de um apartamento na zona oeste de São Paulo. A construção do imóvel em Porto Feliz, cidade de origem da família de Derrite, começou no primeiro semestre de 2024 e vem sendo executada de forma gradativa, assim como os investimentos realizados na obra.
É incorreta a associação direta do valor mencionado à casa em construção, pois esse montante corresponde a imóveis já prontos no mesmo condomínio, não refletindo o estágio atual e o custo total da obra em andamento. Também é importante mencionar que a casa não está localizada em um condomínio de altíssimo padrão, conhecido na região, como dá a entender a reportagem.”







