Levantamento da FGV Ibre aponta redução expressiva no número de brasileiros que procuram emprego há pelo menos dois anos
Por Rafaela Leal, compartilhado de Pensar Piauí
Desemprego de longa duração cai de 3,8 milhões para 1 milhão no Brasil
O número de brasileiros que procuram emprego há dois anos ou mais caiu de 3,8 milhões, em 2021, para aproximadamente 1 milhão no segundo trimestre de 2026. Os dados são de um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), divulgados pelo jornal Valor Econômico.
O estudo, elaborado pelo pesquisador Paulo Peruchetti, mostra que a parcela desses trabalhadores no total de desempregados também diminuiu, passando de quase 30% para cerca de 18% no período.
Recuperação econômica favorece contratações
A redução do desemprego de longa duração representa um avanço para o mercado de trabalho, já que o afastamento prolongado dificulta a recolocação profissional e pode comprometer a renda dos trabalhadores.
“É um resultado que deve ser muito comemorado. Quanto mais tempo o indivíduo fica fora do mercado, maior é a depreciação do capital humano”, afirmou Peruchetti.
Segundo o pesquisador, a melhora está relacionada ao maior dinamismo da economia brasileira após a pandemia de Covid-19, período em que o desemprego prolongado atingiu níveis elevados. A recuperação econômica e a ampliação das oportunidades de trabalho contribuíram para a reinserção profissional.
Trabalho autônomo e plataformas digitais
O levantamento também aponta a expansão do trabalho por conta própria e das ocupações intermediadas por plataformas digitais como fatores que contribuíram para a queda do desemprego prolongado. Essas modalidades ampliaram as possibilidades de geração de renda para quem enfrentava dificuldades de recolocação em empregos tradicionais.
Apesar disso, essas formas de ocupação levantam questões sobre qualidade do emprego, estabilidade dos rendimentos e proteção social, especialmente entre trabalhadores de plataformas digitais.
Desafio é manter a recuperação
A redução de aproximadamente 2,8 milhões de pessoas no desemprego de longa duração entre 2021 e o segundo trimestre de 2026 evidencia uma melhora significativa em relação ao cenário observado durante a crise provocada pela pandemia.
Além de favorecer a renda das famílias, a diminuição do desemprego prolongado pode ajudar a preservar qualificações profissionais, fortalecer vínculos com o mercado de trabalho e reduzir os impactos sociais da exclusão econômica.
O desafio, agora, é consolidar a recuperação, ampliando as oportunidades de ocupação e garantindo melhores condições de trabalho, estabilidade de renda e proteção social.







