Por Lourenço Paulillo, poeta e cronista
Quando eu era criança
Não tinha cãozinho nem gato
Vivia numa casa bem simples
Com margaridas no jardim
E no terreno ao lado só mato
Nossa vida era assim
Balanço de madeira
Bolinha de gude
Mão espetada na laranjeira
Mãe correndo atrás, bem ligeira
Ler era viajar, sonhar
Nas páginas de Monteiro Lobato.
Ouvir as histórias de Dona Benta
Com bolinhos de chuva de Tia Nastácia
Rir das espertezas da Emília
A favorita da família
Reinar com Narizinho e Pedrinho
Ver o Saci e a onça de pertinho
Ah! A infância é tão gostosa
Diria o sábio Visconde de Sabugosa.
De noite deitar sob as estrelas
Imaginar uma viagem ao céu
Tudo brotando do papel
Querer ver a Terra de longe
Pôr a cabeça a quebrar
Pra tal feito realizar
De repente, num instante enfim
Contar com o pó de pirlimpimpim
Por que não?
É a solução!
Basta dar uma aspirada
E se lançar na estrada
Com fé, com esperança
Que com fé tudo se alcança.
Aquela fé que as tias ensinavam
Quando Nossa Senhora nos apresentavam
Fé que elas tão forte carregavam
Enquanto o velho piano dedilhavam
Ah! Como é bom reviver os distantes dias de criança.
Relembrá-los nos alimenta
Nos recarrega de energia
Nos reforça a alegria.
Felicidade que contagia!
Lourenço Paulillo
12 de outubro de 2025.
Dia das Crianças.
Dia de Nossa Senhora Aparecida.







