E pinga um “causo” de boteco que lembra uma fábula, mas é real

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Vamos recordar aqui mais um dos melhores momentos do blog “Tire as Mãos do Meu Pé Sujo”, que teve sua fase áurea de 2008 a 2018. Sediado na Adega da Praça da São Salvador (RJ), o blog foi idealizado, por Américo Vermelho e Washington Araújo, como balcão de resistência dos pés sujos na luta contra os moinhos das boutiques de chope.

Por Washington Luiz de Araújo, jornalista, reprodução de matéria feita para o Tire as Mãos do Meu Pé Sujo em 28 de junho de 2009.




Ele, bem de vida, chegava num carrão com motorista particular e tudo.  Frequentava sempre aquele bar nada luxuoso, mas um aconchego para quem chega de um estafante dia de trabalho para desabafar as mágoas e entrar nas águas. Água não propriamente dita, mas aquela que o povo diz que passarinho não bebe.

O povo frequentador do bar não sabia sobre a vida particular daquele que chamavam simplesmente de Ricaço.

Um dia ele desapareceu. Não ia mais até o Bar do Careca, Bairro Cachoeirinha, de Belo Horizonte.  Bar campeão do Comida di Buteco pela sua língua com um molho sensacional.

Boteco que se preza não dispensa uma boa língua. A língua dos clientes que a metem em tudo. Imagine um boteco que, além desta língua ferina e necessária, tem ainda aquela de boi, bem cozida. Língua que derrete na boca.

Estou me perdendo pela língua. Só sei que o homem, empresário, executivo, que sempre ia até o Careca para estalar a língua sorvendo um branquinha, desapareceu. E as línguas, dos homens, começaram a discutir sobre o que houve com o homem.

Num dia de calor, com o bar cheio de convivas, desce do carrão, com motorista particular e tudo, uma senhora altiva, salto alto, vestido longo, negro. Vai direto ao Careca e diz: “Sei que ele adorava aqui. Chegava em casa mais tranquilo… Agora ele não está mais entre nós. Morreu num acidente de carro”.

Era a esposa do homem, que veio dar a notícia ao Careca e aos demais presentes, todos de orelha em pé. E, junto ao comunicado, trouxe outra informação: “Sabe o que é? É que meu marido tinha uma coleção de cachaças preciosas. Ele guardava e a bebia com todo o carinho… Pensei muito. Não adianta recusar. Vim aqui para dizer ao senhor que doarei toda a coleção para o seu bar. Só tem uma condição, ela é para ser vendida aos poucos, em doses”.

Tempos depois, o Careca recebeu nova visita da viúva, que comentou: “Olha só, como ele cuidou bem da coleção do meu marido”

E lá ficou a coleção de cachaça rara, num pedestal com mais de 150 garrafas. E, como lá se vão mais de 17 anos, surgiu a dúvida: será que exite alguma dose ainda da coleção para contar a história? Precisamos voltar lá para conferir.

https://www.instagram.com/bar_docareca

Na foto, Uilsim (Wilson Renato Pereira), que me levou até o bar, o Orcinio Gonçalves Ferreira, o Careca propriamente dito e este que vos tecla.

Comentários dos amigos:

Wilson Renato Pereira, Uilsim: “Meu Caro Ostim. Maravilha, hem, cerveja de garrafa gelada, linguicinha e língua ao molho com tempero mineiro… Até eu que sou daqui, lambuzei de comer e beber bem, como há muito não fazia. Vamos repetir a dose sempre. Agora, vale vingança no Rio, São Paulo ou Brasília. Aguardo. Abração.”

Américo Vermelho: “Amigo Wash….quem é o Careca e quem é o Uilsim na foto?….vc, sabemos, é o de gravata!”

Washington Araújo: “Caro Américo Vespúcio, o Careca é o… careca, o Uilsim é o que não é careca, ora pois.”

Observação: Acho que quando fez este comentário, o meu sócio no blog já havia tomado algumas, pois até a gravata eu já tinha tirado

Obs 2: na foto do post, tenho dúvida se a coleção é a que está acima da minha cabeça ou estava numa cristaleira e eu esqueci de fotografar….

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