Só a PF pode dizer se os R$ 61 milhões recebidos pela família Bolsonaro são “limpos”, sem associação a fundos de investimentos de facções “terroristas”
Por Xico Sá, compartilhado de ICL
Foto: Flávio Bolsonaro ao lado do senador norte-americano Marco Rubio
Não precisa ser o gênio Carlos Drummond de Andrade, autor de “Quadrilha”, o mais parodiado dos poemas brasileiros, para montar um esquema de ligações criminosas que junte o dinheiro sujo do banco Master aos recursos ilegais movimentados por organizações criminosas como o PCC, por exemplo.
Lembre-se que no meio do caminho, segundo as investigações da Polícia Federal, tem uma firma chamada Super Empreendimentos — do ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro — com associações diretas a fundos geridos pela Reag DTVM, uma fintech metida em rolos com a facção paulista batizada originalmente como Primeiro Comando da Capital.
Ao não ser que Vorcaro, chamado de irmão pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), separasse — higienicamente — a grana limpa da grana suja no seu cofre, há possibilidade de uma bolada de recursos lavados por criminosos ter ido parar no orçamento de “Dark Horse”, o filme sobre o ex-presidente. Ou não? Uso apenas a dedução mais lógica da praça.
Em conversa com o ex-banqueiro, Flávio deixa evidente o recebimento de R$ 61 milhões. Certo?O valor seria para a produção cinematográfica. Tem sido difícil localizar dinheiro legal no patrimônio do dono do Master. Por que somente essa parte do filme seria limpa?
Que garantia tem a família Bolsonaro, autora do pedido para que PCC e CV fossem classificadas como terroristas por Donald Trump, de que a grana não teria passado em algum momento pelas mãos dos personagens desse “terror” que tanto alegam?
Cabe à PF descobrir toda a rota desses recursos e tirar nossa dúvida banal e lógica.
Na “Quadrilha” composta por Drummond, “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”.
No esquema “Dark Horse”, Flávio era chegado de Vorcaro, que se juntava a Zettel, que fazia negócios com fundos suspeitos, que passavam pelo PCC, que nunca amou e se deu bem?
Fica a pergunta, afinal de contas, convém desconfiar de que o banqueiro do Master tenha tido esse zelo todo de separar apenas cédulas limpinhas para a produção do filme de Jair Messias.
Só a PF saberá a resposta. A conclusão, ao que tudo indica, não será nada poética.







