Economia brasileira resiste ao pessimismo e ao tarifaço com dados robustos

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Mesmo com incertezas externas, PIB avança acima do esperado, mercado de trabalho bate recordes e inflação dá sinais de perda de fôlego

Compartilhado de ICL




Foto Ricardo Stuckert

Apesar da pressão do mercado financeiro, das incertezas externas provocadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do cenário de juros elevados, a economia brasileira tem mostrado resiliência em 2025. O desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), do mercado de trabalho, da produção agropecuária e do setor de serviços aponta uma trajetória sólida, embora não imune a riscos.

Veja abaixo um panorama analítico dividido entre os principais pontos positivos e os desafios ainda presentes na economia brasileira.

O que vai bem na economia brasileira

● PIB surpreende positivamente e crescimento é revisado para cima

PIB brasileiro cresceu 1,4% no segundo trimestre de 2025, acima das projeções do mercado (+0,9%). A indústria e o setor de serviços puxaram o desempenho. No acumulado de 12 meses, o avanço é de 2,5%, colocando o Brasil entre os países que mais cresceram no G20 (grupo dos 20 países mais ricos do mundo).

Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou a estimativa de crescimento para 2025 de 2,4% para 2,5%. O mercado financeiro, segundo o último Boletim Focus do Banco Central, projeto a alta do PIB em 2,21% este ano.

● Emprego formal e mercado de trabalho batem recordes históricos

taxa de desemprego no segundo trimestre de 2025 chegou a 5,8%, a menor da série iniciada em 2012. Comparada ao primeiro trimestre de 2025, essa taxa caiu em 18 das 27 unidades da federação e ficou estável nas outras nove, segundo divulgação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) feito nesta sexta-feira (15). Pernambuco (10,4%), Bahia (9,1%) e Distrito Federal (8,7%) mostraram as maiores taxas, enquanto as menores foram em Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%).

O país também gerou 1,22 milhão de empregos formais no primeiro semestre, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), com destaque para mulheres e pessoas inscritas no CadÚnico (Cadastro Único).

● Melhora da renda tira beneficiários do Bolsa Família

O programa Bolsa Família registrou, em julho, a saída de 958 mil famílias, ou cerca de 3,5 milhões de pessoas, em razão do aumento da renda domiciliar. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o motivo predominante foi o ingresso em empregos formais ou o crescimento de pequenos negócios, reflexo da recuperação do mercado de trabalho e de políticas de inclusão produtiva.

Com isso, o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família caiu de 20,5 milhões em junho para 19,6 milhões em julho — o menor desde a reformulação do programa, em março de 2023.

● Safra recorde impulsiona agro e transportes

A estimativa da safra nacional para 2025 é de 340,5 milhões de toneladas, alta de 16,3% em relação a 2024 — o maior volume da série histórica do IBGE. Isso impulsiona a economia rural e contribui para o dinamismo do transporte de cargas, setor que liderou o crescimento de serviços em junho.

● Real entre as moedas que mais se valorizaram no mundo

Segundo ranking da Austin Rating, o real foi a quarta moeda que mais se valorizou em 2025 frente ao dólar, com alta acumulada de 10,1%, reflexo da política monetária restritiva e melhora na percepção de risco. A valorização ajuda a conter pressões inflacionárias e reduz custos de importações.

● Inflação dá sinais de moderação

Apesar de choques como o encarecimento da energia elétrica, a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), no acumulado nos últimos 12 meses, está em 5,23%, e a projeção para o ano caiu para 4,9%. A inflação de julho foi de 0,26%, puxada por itens pontuais. O mercado espera queda gradual nos preços, apesar de o índice ainda estar acima do teto da meta (4,5%) definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Além disso, dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que a queda de 0,69% nos preços dos alimentos consumidos no domicílio foi o principal fator de alívio da inflação de julho, beneficiando especialmente os mais pobres, que gastam mais com alimentação. O movimento ajudou a neutralizar o impacto do reajuste de 3,0% nas tarifas de energia elétrica, que pressionou o grupo habitação.

● Nobel de Economia elogia postura do Brasil diante dos EUA

Os economistas Joseph Stiglitz e Paul Krugman criticaram as tarifas unilaterais impostas por Donald Trump ao Brasil e elogiaram a postura firme do presidente Lula. Ambos destacaram o compromisso do país com o Estado de Direito e defenderam retaliações como resposta à ofensiva norte-americana.

O que ainda preocupa na economia brasileira

● Inadimplência cresce e pressiona famílias

A inadimplência atingiu 76,6 milhões de brasileiros, o maior patamar desde 2016. Houve aumento das dívidas com instituições financeiras e serviços não essenciais. Nos condomínios, a inadimplência subiu para 17% no 1º trimestre, impulsionada pela alta das taxas condominiais.

Programas do governo federal como o Desenrola Brasil e o Consignado CLT foram criados para dar fôlego financeiro a famílias endividadas.

Criado pelo governo federal, o Desenrola Brasil renegociou dívidas com condições facilitadas. Já o Consignado CLT é uma linha de crédito com desconto direto na folha de pagamento para trabalhadores com carteira assinada. Ele oferece juros mais baixos e a possibilidade de substituir dívidas de alto custo por uma dívida mais barata e previsível

● Indústria avança, mas mostra sinais de perda de fôlego

Apesar da alta de 0,1% em junho, a produção industrial ainda não recuperou totalmente o recuo acumulado em abril e maio. O setor está 15,1% abaixo do pico registrado em 2011, e há sinais de arrefecimento no ritmo, com oscilações mensais e pressão dos custos.

Nova Indústria Brasil (NIB) é a política industrial lançada pelo governo federal em janeiro de 2024 com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional até 2033. O programa prevê investimentos de R$300 bilhões até 2026, distribuídos em financiamentos, recursos não reembolsáveis e participações acionárias.

● Juros altos limitam consumo e investimentos

Na última reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic, que permanece em 15% ao ano, maior patamar em duas décadas. O Banco Central mantém postura cautelosa diante da inflação persistente e do risco externo trazido pelo “tarifaço” dos EUA. A política de juros altos inibe o crédito, aumenta a dívida pública, e pesa sobre empresas e famílias.

● Tarifas dos EUA criam incertezas no comércio exterior

A taxação de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, imposta pelo governo Trump, gera preocupação sobre os impactos no comércio e na confiança dos investidores. O BC admite incertezas nos efeitos agregados da medida, enquanto o governo busca uma resposta firme.

Nesta semana, o governo do presidente Lula (PT) anunciou um plano de R$ 30 bilhões para ajudar as empresas atingidas pelo tarifaço.

Apesar disso tudo, a economia brasileira segue surpreendendo positivamente, sustentada por fundamentos sólidos: emprego, agropecuária, serviços e câmbio favorável.

Para o governo, o desafio será manter o ritmo de crescimento com estabilidade, enfrentando choques externos e internos sem perder o rumo.

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