Em 2023, Tony Garcia revelou ao GGN como Sergio Moro “chantageou” o relator da Lava Jato no STJ

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Tony Garcia narrou em detalhes ao GGN como foi usado para captar conversas que teriam implicado o ministro Félix Fischer

Por Cintia Alves, compartilhado de GGN




A mais recente busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal no antigo gabinete de Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba confirmou denúncias que o GGN vem publicando há anos, apontando que Moro teria utilizado gravações clandestinas contra autoridades com foro privilegiado para blindar suas decisões judiciais em instâncias superiores.

Em 2023, o ex-delator Tony Garcia revelou em entrevista exclusiva ao jornalista Luís Nassif, no canal TV GGN, no Youtube, que Moro teria utilizado conversas obtidas através de grampos ilegais para “chantagear” o ministro Félix Fischer, que foi o relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça.

Um dos principais argumentos usados em defesa da Lava Jato por Moro, Deltan Dallagnol e outros agentes que atuaram na operação, é justamente que as decisões tomadas em primeira instância foram referendadas pelas cortes superiores. Ocorre que, pelos relatos de Tony Garcia, Moro e os procuradores conseguiram “blindar” essas decisões porque dispunham de material sensível, capaz de colocar alguns magistrados contra a parede.

Na semana passada, a jornalista Daniela Lima revelou que um ministro do Tribunal de Contas da União está entre as autoridades flagrados por Moro na chamada “festa da cueca”, que foi revelada por Tony Garcia. O episódio envolveria magistrados que foram gravados em um evento comprometedor, e depois ficaram com medo de que as imagens vazassem para familiares e a imprensa. A “festa da cueca”, segundo Tony, é a ilustração de como Moro adotou como modus operandi o garimpo de informações privilegiadas para fazer pressão e jogadas políticas enquanto ainda vestia uma toga.

A chantagem a Félix Fischer

Na entrevista exclusiva ao GGN em 2023, Tony Garcia revelou que gravou uma conversa com o seu ex-advogado Roberto Bertholdo, a quem teria pago R$ 600 mil por um habeas corpus que seria emitido pelo STF. No grampo, Bertholdo teria confessado o que fez com o dinheiro.

Vou te contar a verdade, agora que já passou: 200 [mil reais] foram para o Vicente Leal; 200 para o escritório do filho do Félix Fischer, e 200 – que ninguém é de ferro – foram pra mim“, teria dito Bertholdo. Tony Garcia afirmou ao GGN que esta gravação “foi crucial” para Moro e os procuradores da Lava Jato “chantagearem Félix Fischer” posteriormente.

Ainda segundo os relatos de Tony Garcia ao GGN, Sergio Moro e Carlos Fernando dos Santos Lima, Deltan Dallagnol e Januário Paludo (ex-procuradores da Lava Jato) “sabiam com antecedência” quando o então delator teria reunião marcada com alguma autoridade que seria grampeada ilegalmente.

“Eles ouviam [a conversa em tempo real]. Quando eu acabava de sair da reunião, eles me ligavam e me davam parabéns. Ou me diziam que faltava perguntar isso aqui e aquilo, e mandavam eu voltar”, disse Garcia ao jornalista Luís Nassif.

Segundo ele, a gravação que implicava a família de Félix Fischer teria sido feita com o intuito de comprovar que Tony Garcia não teria tentando comprar um habeas corpus. Porém, ele narrou que os procuradores da Lava Jato consideraram a conversa captada uma “coisa boa” para ser usada contra Fischer, por ter citação ao escritório de seu filho.

Ainda de acordo com Garcia, nada foi feito contra Fischer naquele momento, apesar de os procuradores terem celebrado o grampo. Ao contrário disso, segundo informações obtidas por Tony Garcia com agentes da Polícia Federal, Sergio Moro e os procuradores se aproximaram do filho de Félix Fischer e teriam sido vistos jogando “uma pelada” com ele.

Crime continuado

As denúncias de Tony Garcia contra Sergio Moro são investigadas pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. As últimas diligências teriam o condão de comprovar o uso de informação privilegiada obtida de maneira ilegal por Moro para chantagear autoridades em benefício próprio.

Em resposta nas redes sociais, Moro negou qualquer transgressão e disse que, mesmo que houvesse grampos de autoridades com foro, seriam fatos de mais de 20 anos atrás. A vacina contra uma possível prescrição da pena, contudo, não é certa. Isso porque a PF trabalha com a hipótese de crime continuado.

Na entrevista ao GGN, Tony Garcia fez uma declaração que corrobora com a hipótese da Polícia Federal, de que as informações sensíveis foram guardadas ao longo de muitos anos, para ser usada permanentemente contra as autoridades gravadas.

“Isso é um jogo de poder”, disparou. “Ele [Moro] pega uma coisa daquela época e isso vai se desdobrando. Ele vai conseguindo colocar pessoas [em cargos estratégicos], chantagear pessoas para não reformar sentenças dele… Depois de 10 anos, ele vai jogando politicamente e chantageando todo mundo. A matéria-prima deles era pescar, pescar, pescar. Depois, peneiravam e faziam chantagem“, disse Tony Garcia.

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