O amigo Lourenço Paulillo, de 82 anos, poeta e cronista de São Paulo, nos enviou o texto abaixo há algum tempo. Agora o publicamos e acrescentamos a letra da bela música abaixo, “Encontros e Despedidas”, Milton Nascimento e Fernando Brant.
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida
Por Lourenço Paulillo, poeta e cronista de São Paulo
AS PARTIDAS
Cada vez que parte um amigo
Sobre a vida voltamos a pensar
É uma aliança que se perde no mar
Jamais voltaremos a encontrar
É um cristal que se estilhaça
Não há pessoa que o refaça
Cada vez que se perde um amigo
Sobre a vida ficamos a meditar
Às vezes ela parece longa
Outras vezes, um piscar
Mas como assim?
Será que a vida tem fim?
Ela é guardada na memória,
Permanece na história.
Ou realmente continua
Do outro lado da rua
Um momento cheio de graça
Em que nos reveremos na praça.
O amigo ali no banco,
Sorrindo, todo de branco,
E nós, o envolvendo nos braços
Para um feliz reencontro
Não creio, dirão alguns.
Tenho dúvidas, comentarão outros.
De outra forma não teria sentido,
É o que mais tenho ouvido
Ser otimista é o melhor caminho.
A gente se revê, não fica sozinho.
É a rosa, não o espinho.
É poesia, não melancolia.
Quem não quiser acreditar,
Tente pelo menos imaginar
Que vamos nos reencontrar.
Lourenço Paulillo
6 de julho de 2025
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