EUA querem liderança em IA, mas ‘dependem desesperadamente’ das baterias chinesas, diz NYT

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Segundo jornal norte-americano, corrida pela tecnologia enfrenta contradição com dependência por subsídios de Pequim

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Foto: Centros de processamento de dados consomem muita eletricidade
Jefferson Lab/Flickr

Apesar da corrida para que os Estados Unidos alcancem a liderança mundial no setor da Inteligência Artificial (IA), o país “tem uma fraqueza”: sua necessidade “desesperadora” das baterias produzidas pela China.

Segundo uma reportagem do New York Times, o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA e as empresas norte-americanas de IA dependem muito das baterias chinesas, expandindo o domínio de Pequim para além do campo já conhecido, o automobilístico.

De acordo com a reportagem do jornal norte-americano, especialistas em Data Centers tentam impulsionar a indústria de inteligência artificial dos Estados Unidos, que está em uma corrida contra a China. Mas há uma contradição: para que os EUA ultrapassem Pequim, dependem cada vez mais das baterias chinesas.

Isso porque os centros de processamento de dados, como os na Virgínia, estado no sudoeste norte-americano, consomem muita eletricidade. As instalações não podem sobrecarregar as redes elétricas locais porque, mesmo uma pequena oscilação de energia, “pode ter efeitos em cascata, corrompendo códigos sensíveis de inteligência artificial”.

“A maioria dos centros de dados depende das baterias como sistema de backup. Elas podem fornecer energia instantânea em caso de queda de energia, enquanto os geradores movidos a gás natural ou diesel entram em funcionamento, ajudando a garantir que os dados não sejam perdidos”, escreve o NYT.

Para que seus Data Centers continuem avançando, com a expectativa de ultrapassar a China, as grandes empresas de tecnologia gastam “bilhões de dólares em grandes baterias de íon-lítio”, setor no qual a China “lidera em quase todos os componentes industriais”, de acordo com Dan Wang, especialista no setor de tecnologia chinês da Hoover Institution, de Stanford.

Semelhante necessidade ocorre no Pentágono. Estrategistas militares afirmam que as forças armadas dos EUA precisarão cada vez mais de baterias para “alimentar drones, lasers e inúmeras outras armas do futuro”.

Segundo a Govini, uma empresa de análise de defesa, atualmente, “as forças militares dos EUA dependem de cadeias de suprimentos chinesas para cerca de seis mil componentes de baterias em seus diversos programas de armamento”.

A dependência levou Tara Murphy Dougherty, diretora executiva da Govini, a classificar a situação como “uma realidade muito dura”. “Há componentes estrangeiros em 100% dos nossos sistemas de armas e plataformas militares”, relatou, citada pelo jornal.

Diante dessa dependência, Washington, sob o governo de Joe Biden, encaminhou bilhões de dólares em subsídios federais para a fabricação de baterias. “O Departamento de Energia permitiu discretamente a continuidade de muitas subvenções da era Biden para fabricantes de baterias. Recentemente, também anunciou um investimento de até US$ 500 milhões em projetos de materiais e reciclagem de baterias”, escreveu o NYT.

Segundo Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, está “mobilizando todos os setores do governo para trabalharem em estreita colaboração para garantir que os EUA sejam líderes globais na produção de minerais críticos e baterias”.

Construir indústria nos EUA será extremamente difícil

Apesar da sinalização ao investimento em baterias, especialistas consultados pelo NYT avaliam que “construir uma indústria independente da China será extremamente difícil”. Suas análises partem do fato de que em 2024 a China “fabricou 99% das células LFP [um dos tipos de bateria] do mundo e mais de 90% dos principais componentes, segundo a Agência Internacional de Energia”.

Para construir uma independência da China no setor das baterias, “pode ser necessário um esforço coordenado e apoio governamental”. Mas mesmo assim, o refinamento dos materiais críticos necessários “pode ser um processo perigoso”, de modo que “os padrões ambientais norte-americanos podem tornar o processo muito mais caro do que na China”.

“A eletricidade não é simplesmente um serviço público. É um ativo estratégico que garantirá nossa liderança na tecnologia mais importante desde a eletricidade”, reconheceu a empresa norte-americano ​​OpenAI.

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