Flávio sem o sobrenome Bolsonaro. O disfarce não esconde o risco

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Por René Ruschel, jornalista

O senador Flávio Bolsonaro, PL, pré-candidato à presidência da República tenta virar apenas Flávio.




Trata-se de um cálculo político para apagar o sobrenome do pai e vender equilíbrio onde sempre houve radicalismo. A troca de embalagem, porém, não altera o conteúdo.

O histórico pesa e muito. O caso das rachadinhas não é detalhe. Envolve o ex-assessor Fabrício Queiroz, movimentações financeiras incompatíveis e suspeitas de desvio de salários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Soma-se a isso um conjunto de operações imobiliárias que levantaram indícios de lavagem de dinheiro. Quem não se lembra da loja de chocolate que faturava milhões durante os 365 dias do ano?

Decisões judiciais podem ter arquivado partes dos processos, mas não apagaram os fatos nem o impacto político.

No plano ideológico, não há novidade. Flávio sempre esteve alinhado ao modelo de confronto e submissão externa simbolizado por Donald Trump.

A defesa acrítica de posições estrangeiras, inclusive em momentos de tensão comercial, expõe uma visão limitada de soberania e interesse nacional.

E o que ele oferece ao país? Nada, absolutamente nada. No Senado, sua atuação é apagada. Não há projetos estruturantes, não há liderança, não há proposta de governo.

Não se conhece um projeto para economia, saúde, educação ou segurança.

O discurso gira em torno da própria família e de uma pauta central que é proteger o legado político do ex-capitão e defendê-lo de consequências judiciais.

A tentativa de se escorar em noutro pré-candidato, Ronaldo Caiado, PSD soa como estratégia de sobrevivência eleitoral, não como construção de um projeto nacional. É acessório, não substância. Caiado será o padre Kelmon de 2022.

Trata-se de um projeto vazio que carrega um histórico de tensão com as instituições. Rebatizado ou não, o que está em jogo é a reedição de um modelo que já testou os limites da democracia brasileira.

É preciso dizer com clareza: não há atalhos salvadores nem “nova versão” de velhas práticas. O eleitor não pode ser tratado como distraído.

A tentativa de reescrever a própria biografia política, escondendo o sobrenome e suavizando o discurso é um gesto calculado e perigoso.

O país já conhece esse roteiro. E já pagou o preço.

Mudar o nome não muda o passado. E ignorar esse passado pode custar caro. Muito caro.

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