Rede criminosa incluía pilotos, empresários e oficinas clandestinas com estrutura industrial, segundo o Fantástico. Fuzis de alta precisão seriam destinados ao Comando Vermelho e outras facções do Rio, governado por Cláudio Castro
Por Raony Salvador, compartilhado de Fórum
Uma investigação da Polícia Federal revelou um dos esquemas mais sofisticados de produção e distribuição de armas ilegais já descobertos no Brasil.
Fábricas clandestinas em São Paulo e Minas Gerais — estados governados pelos extremistas de direita Tarcísio de Freitas e Romeu Zema — produziam fuzis de alta precisão destinados a abastecer o Comando Vermelho e outras facções criminosas do Rio de Janeiro.
Imagens obtidas pela PF, e divulgadas em reportagem pelo Fantástico neste domingo (2), mostram o funcionamento de uma verdadeira indústria bélica ilegal, com maquinário avaliado em milhões de reais.
Em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista, os agentes encontraram 11 equipamentos industriais de precisão e cerca de 150 fuzis prontos, além de mais de 30 mil peças. A capacidade de produção era estimada em até 3.500 armas por ano.
De acordo com a investigação, Rafael Xavier do Nascimento era responsável por transportar os fuzis para o Rio. Ele fazia o trajeto pelo menos uma vez por mês e foi preso em flagrante com 13 armas na Via Dutra. Mensagens encontradas em seu telefone mostravam o contato direto com os destinatários do arsenal.
A fachada do negócio era uma empresa de peças aeronáuticas registrada em nome do piloto Gabriel Carvalho Belchior, que deixou o país antes das operações da PF.
Segundo a investigação, ele enviava armas desmontadas dos Estados Unidos dentro de caixas de produtos como piscinas infláveis. Uma dessas remessas foi interceptada pela Receita Federal em agosto. Belchior está foragido e na lista da Interpol.
Outro ponto da rede foi identificado em Belo Horizonte, sob o comando de Silas Diniz Carvalho e sua esposa, Marcely Ávila Machado. O casal já havia sido alvo de investigação em 2023, quando Silas foi preso com 47 fuzis em um apartamento na Barra da Tijuca.
As autoridades afirmam que a fábrica mineira tinha aparência de uma marcenaria, mas abrigava uma estrutura completa de montagem de armas.
Segundo a PF, as duas fábricas clandestinas abasteceram não apenas o Complexo do Alemão, mas também a Rocinha, o Complexo da Maré e grupos paramilitares do Rio. Há indícios de fornecimento para facções na Bahia e no Ceará. Ao todo, o grupo teria produzido e distribuído cerca de mil fuzis.
O Instituto Sou da Paz aponta que o número de fuzis apreendidos no estado do Rio aumentou 32% entre 2019 e 2023. A Polícia Civil ainda realiza perícia nos armamentos confiscados, a maioria do tipo AR-15 calibre 556, idênticos aos fabricados nas fábricas clandestinas.
Até o momento, Silas Diniz e Anderson Custódio Gomes seguem presos. Marcely Machado e Gabriel Belchior permanecem foragidos.







