O que pode ser feito além dos desmentidos das autoridades e instituições?
Por Moisés Mendes, jornalista, em seu blog, compartilhado de Pensa Piauí
Foto: Empresas que mais são assessoria de imprensa que de comunicação
Nem na Lava-Jato a Globo e a Folha ficaram tão enfaradas por vazamentos como agora. Os dois jornais pagam seus principais colunistas para que trabalhem para a direita e a extrema-direita.
É a assessoria mais barata que o bolsonarismo já teve. Globo e Folha sustentam seus grandes nomes do colunismo para que disseminem informações vazadas pela Polícia Federal, por deputados bolsonaristas da CPI do INSS e, dizem, até de dentro do Supremo.
O mais novo vazamento insinua que Alexandre de Moraes pode ter participado das festas de Vorcaro em Trancoso, na Bahia. O STF já desmentiu a notícia. Mas o que pode ser feito além dos desmentidos?
Alguém em algum momento não terá que provar as informações vazadas? Moraes diz que não falava com Vorcaro em mensagens, e a Folha reafirma que ele falava.
Como a Polícia Federal decidiu que até agora não há nada a ser investigado sobre o caso envolvendo o ministro, nada saberemos com provas inquestionáveis (até ordem em contrário) sobre a existência ou não de troca de mensagens.
E Globo, Folha e eventualmente Estadão continuarão divulgando informações vazadas, mesmo que André Mendonça tente se impor como principal autoridade das investigações. E Moraes continuará negando.
Ficará assim por quanto tempo? Pelo tempo que a parte prejudicada, no caso o ministro, deixar a coisa correr. Moraes enfrenta as organizações sem as mesas armas.
No raciocínio simplório dos juristas de rede social, ele poderia desafiar os vazadores e os receptadores (principalmente Malu Gaspar e Lauro Jardim) a apresentarem provas do que dizem.
Os jornalistas irão dizer que têm o direito de divulgar informações, mesmo obtidas ilegalmente, e o debate será longo e talvez sem fim sobre a responsabilização de quem propaga calúnias, injúrias e difamações.
E o que é pior: os receptadores dentro dos jornais poderão, com o suporte dos vazadores, produzir todo tipo de informação para reafirmar que dizem a verdade. Como já estão fazendo.
É complicada a vida de Moraes, que esteve na ofensiva no julgamento do golpe e agora se defende todos os dias. O pool criado pelas organizações de mídia já decidiu: vai derrubá-lo ou deixá-lo manco para sempre porque só assim Globo, Folha e Estadão sairão ilesos.
Hoje, Moraes não tem como vencer o conluio de vazadores e de jornalistas. Os vazadores têm acesso às informações dentro das instituições, principalmente a Polícia Federal, e os jornalistas têm a proteção das corporações de mídias e seus códigos de guerra.
Os jornalistas a serviço da direita e da extrema-direita, que comem pela mão de vazadores interessados na queda de Moraes (fora os que tentam derrubar Lula), irão alegar sempre que estão protegidos pela Constituição, eles e suas fontes ocultas. É jogo pesado que, pelo cenário de hoje, as corporações vencerão sempre.
BERGAMO
Mônica Bergamo, que já foi uma grande jornalista, entra no modo Malu Gaspar e especula, para dar corda para o fascismo, sobre a possível prisão de Lulinha.
É dela o furo da possível prisão. É resultado de vazamento de dentro da Polícia Federal. E assim o colunismo dos jornalões se iguala, porque o ritmo é de novo de golpismo e ninguém pode perder audiência.
A guerra entre elas e eles é para saber quem recebe mais vazamentos. É um momento degradante para o jornalismo. Por que Lulinha seria preso? Monica não diz e não precisa dizer.
O que importa para o colunismo é jogar a fofoca e atiçar todo mundo, na linha do não vão prender o cara?







