Por Carlos Eduardo Alves, jornalista
O gigantesco triunfo inédito de, ao mesmo tempo, isentar pobres e classe média baixa do IR e taxar ao menos um tiquinho os muito ricos saiu graças à obstinação de Lula, ao trabalho criterioso e competente de Haddad e, alvíssaras, as portentosas manifestações de rua impulsionadas pelas esquerdas naquele domingo inesquecível para a cidadania brasileira.
Não haveria derrota parlamentar tão humilhante para a corja majoritária na Câmara sem o medo das ruas. Óbvio que a turma de reacionários e picaretas cínicos não teria coragem de negar a isenção ao andar de baixo um ano antes da eleição.
Mas o próprio governo sabia que estavam tramando o crime na hora das chamadas compensações, ou seja, de onde sairia o dinheiro exigido por lei em caso de perda de arrecadação tributária. A preocupação era tanta que exigiu a participação direta do presidente Lula, que teve nos dois dias anteriores uma maratona de encontros com líderes e representantes de partidos de direita para defender a proposta.
Foi o eco das ruas e o consequente medo de receber mais uma vez o carimbo de “Congresso, inimigo do povo e amigo dos ricos” que fez os picaretas recuarem. Pelo menos no momento eles se sentiram acuados. No momento, não se iludam que essa gangue se entusiasma quando o tema é justiça social.
Mérito total para o ministro Fernando Haddad, que durante muitos meses expôs em entrevistas e conversas com parlamentares a necessidade de se corrigir um pouco o crime que era a tributação do IR em cima da professora de ensino público enquanto o milionário da cobertura era isento. Haddad arrancou isso de um Congresso medieval. Ele, o Haddad atacado como “neoliberal” em rede social por jovens dinossauros e velhos adeptos de seitas que remontam a 1917.
As seitas de ultra esquerda continuam em kombis e o Brasil enfim, com o salutar ronco das ruas, pode festejar uma vitória importante contra uma distribuição de renda que continua sendo uma das mais pornográficas do mundo. Hora de comemorar o golaço.







