É um desatino completo, divina loucura, uma atividade tresloucada de totais incertezas… criar, produzir, gravar e lançar álbum de inéditas numa época de tamanhas adversidades e armadilhas.
Primeiro, que não rende dinheiro. Zero.
As bigtechs deram um jeito de jorrar “música” pelas torneiras digitais, de graça.
Não se ganha nada.
É uma velha mania que temos, e que nos consome, isso sim, uma energia considerável de esforços e de recursos, sem praticamente retorno algum, palpável.
Zero. O mundo praticamente não dá mais valor.
O mundo prefere o entretenimento e o acervo antigo dos áureos tempos da indústria que existiu um dia.
A música há muito tempo já havia perdido 90 % da importância que tinha na época da indústria analógica de produto fonográfico.
Fazer disco, com apuro e compromisso de arte, nobre profissão que em outras épocas tinha caráter diferenciado, com Ray Charles, Sinatra, gravando de terno-de-casimira-e-gravata … virou um diletantismo doméstico , uma profissão muito mais de fé do que de realidade. Ao alcance de qualquer um, em computadores, hoje tem a vantagem positiva de ter se democratizado , então todo mundo pode gravar seus discos e clips, o que diluiu a produção em um oceano de “wannabies” : todo mundo pode, todo mundo quer, e com toda razão!
Na minha infância e adolescência não era assim, um menino, uma menina, um johnny alf, uma Nara Leão, tocarem piano, violão e cantarem… era uma coisa extraordinária e admirável, hoje virou o que se chamaria “carne-de-vaca” … (pelo preço da carne de vaca hoje, deveria ser um luxo total, mas a verdade é que já nem chama mais a atenção de ninguém …)
Quero então homenagear meus valorosos colegas que, apesar de tudo contra, fazem e lançam discos com novidades para o mundo ser mais feliz !







