IA: ponte ou abismo?

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A partir da história de um jovem da Amazônia, Luiz Cláudio Costa, ex-secretário de Educação Superior do Governo Federal, reflete sobre os impactos e as contradições da tecnologia na sociedade em novo livro. A obra mistura ensaio, ficção e filosofia.

Por Raíssa Araújo Pacheco, compartilhado de OutrasPalavras




Uma realidade que vem atravessando as mais variadas dimensões de nosso presente, a Inteligência Artificial já deixou de ser um vislumbre do futuro, causando mudanças no mercado de trabalho, na educação, na saúde e estremecendo até mesmo estruturas de poder inteiras.

A ferramenta carrega em seu cerne dilemas éticos, ambiguidades e contradições: pode ampliar nossos horizontes, mas também pode aprofundar desigualdades existentes; pode ser um instrumento de democratização, mas em sua forma dominante serve à concentração de poder. Refletir sobre essas questões é essencial para garantir que a tecnologia esteja à serviço da população e não do lucro de grandes empresas.

É justamente nesse território de reflexões que o professor e educador Luiz Cláudio Costa lança seu livro O Impacto da Inteligência Artificial na Humanidade, pela Editora Appris.

Outras Palavras sorteará um exemplar de O Impacto da Inteligência Artificial na Humanidade, de Luiz Cláudio Costa, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 3/11, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!

Misturando ensaio, ficção e filosofia, a obra conduz o leitor em uma jornada que conecta grandes pensadores da história aos desafios e oportunidades que a IA apresenta.

A narrativa ganha vida através da história de João, um jovem do interior da Amazônia, cuja trajetória de incertezas e encantos com a inteligência artificial serve como pano de fundo para explorar temas cruciais como educação, saúde, ética, economia, emprego, inovação e poder.

Com a autoridade de quem é um pioneiro na área, o professor Luiz Cláudio Costa foi o fundador do primeiro curso de graduação em IA do Brasil, em 2018, muito antes da popularização de ferramentas como o ChatGPT.

Ele alerta para o paradoxo brasileiro: o país é o terceiro maior usuário de IA do mundo, atrás apenas de EUA e Índia, o que evidencia nosso potencial criativo, mas também uma gritante desigualdade de acesso.

“A tecnologia pode ser ponte ou abismo. Se for usada sem cuidado, a IA reforça preconceitos, concentra poder e exclui os mais vulneráveis”, adverte o autor. A obra defende a urgência de investir em infraestrutura digital, capacitar professores, criar políticas públicas inclusivas e democratizar o acesso à tecnologia.

Como destaca uma das reflexões centrais do livro: “a questão não é se a IA vai mudar o mundo, mas se estaremos preparados para moldar essa mudança”.

Um dos temas mais relevantes abordados é o futuro da educação. Costa argumenta que nosso modelo de ensino ainda é herança da Revolução Industrial e que a IA tem o potencial de resgatar o ensino personalizado.

“Com a IA, podemos ter ‘tutores digitais’, auxiliando o professor, sem jamais substituí-los, que acompanham cada aluno no seu ritmo. Isso pode democratizar o acesso ao aprendizado de qualidade”, explica.

Sobre a regulação da IA, o autor se posiciona claramente a favor de princípios sólidos de justiça, transparência, privacidade e responsabilidade social. “Sou favorável à regulação da IA no Brasil e no mundo… é um passo importante para garantir que a tecnologia avance dentro de valores éticos e democráticos”, conclui.

Propondo um caminho um tanto singular, Cláudio Costa instiga à reflexão desse que é, na atualidade, um tema que apresenta necessidade premente de debate.


SOBRE LUIZ CLAUDIO COSTA

Luiz Cláudio Costa é professor aposentado e ex-reitor da Universidade Federal de Viçosa, onde atuou por mais de 30 anos como professor, pesquisador e gestor. No Ministério da Educação foi secretário de Educação Superior, presidente do Inep, secretário executivo e ministro interino. Também atuou como vice-presidente do Conselho do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Presidente do Observatory On Academic Ranking and Excellence (IREG). Atualmente é membro do Conselho Internacional do Times Higher Education, do Conselho Internacional da King Abdulaziz University, da Comissão de assuntos estratégicos do BNDES e reitor do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB).

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