IML, controlado por Cláudio Castro, impede Defensoria de acompanhar perícias

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Órgão afirma que também requisitou câmeras corporais dos policiais: “a quem vale impedir o acesso da Defensoria a esses corpos?”, pergunta coordenadora; vídeo

Por Julinho Bittencourt, compartilhado de Fórum




Foto: Rafaela Garcez, coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria.Créditos: Reprodução de vídeo

Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou nesta quinta-feira (30) ter sido impedida de acompanhar as necropsias dos corpos dos mortos durante a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou 121 mortos, segundo números oficiais.

A instituição informou que tentou acesso ao Instituto Médico Legal (IML) para acompanhar o trabalho dos peritos, mas foi barrada. Segundo o órgão, a presença de seus representantes serviria para garantir a transparência e a qualidade das perícias, especialmente em casos em que há dúvidas sobre a preservação das cenas dos crimes.

“O controle que a Defensoria quer é para que melhoremos a qualidade dessa perícia, com o olhar de outros peritos que podem trazer uma melhor análise das circunstâncias, já que parte do local não foi preservado”, afirmou Rafaela Garcez, coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria.

Garcez questionou o motivo de o órgão ser impedido de ter acesso aos corpos.

“A quem vale impedir o acesso da Defensoria a esses corpos? Já pedimos também as câmeras corporais dos policiais, para que haja controle dessa atuação”, disse.

Garantir a lisura

A defensora ressaltou que o objetivo da atuação não é “criminalizar” a ação policial, mas garantir a lisura das apurações sobre as mortes.

“O corpo dessas pessoas é que vai dizer o que efetivamente ocorreu. Para isso, precisamos ter acesso a esses corpos e contribuir com um olhar técnico. Somos uma instituição de Estado. A quem interessa impedir esse controle?”, completou.

O IML confirmou que restringiu o acesso às salas de necropsia apenas a policiais e integrantes do Ministério Público, sob a justificativa de segurança e de cumprimento de protocolos internos.

A Defensoria informou que deve encaminhar reclamação formal ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça do Rio pedindo para que o órgão possa acompanhar futuras perícias em operações com elevado número de mortos.

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