Por Paulo Accioli, Rádio Munduial News
Quando um estudante apanha dentro da escola pelas mãos do Estado, não é só um jovem que é ferido. É o próprio futuro que leva um golpe.
O que aconteceu dentro de uma escola no Rio de Janeiro não é apenas mais um episódio de violência policial. É um retrato brutal de inversão de valores. Um agente da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, cuja função deveria ser proteger, invadiu um espaço de formação e atacou estudantes. Jovens. Dentro de uma escola.
Isso não é manutenção da ordem. Isso é abuso de poder.
Escola é território sagrado da educação. É onde se constrói cidadania, pensamento crítico e futuro. Quando a violência entra pelos portões, vinda justamente de quem deveria garantir segurança, o que se rompe não é apenas a tranquilidade do ambiente escolar. É a confiança da sociedade nas instituições.
É inaceitável que estudantes sejam tratados como inimigos. Não se combate indisciplina com agressão. Não se impõe respeito com violência. O que se viu foi um agente despreparado, incapaz de compreender o limite entre autoridade e autoritarismo.
A lógica do confronto, tão presente nas ruas, não pode ser transplantada para dentro das escolas. Quando isso acontece, o Estado deixa de educar e passa a oprimir. E o recado que fica para esses jovens é devastador: o de que o diálogo não vale nada, que a força bruta é o caminho.
Onde estavam os protocolos? Onde está o treinamento emocional desses agentes? Onde está a responsabilidade da corporação?
Casos assim não podem ser tratados como exceção isolada. São sintomas de um modelo de segurança pública falido, que muitas vezes forma soldados para a guerra, mas os solta em meio à sociedade civil sem o preparo necessário para lidar com situações cotidianas, especialmente envolvendo adolescentes.
É preciso responsabilização imediata. Rigorosa. Transparente. Não apenas para punir o agressor, mas para sinalizar que esse tipo de conduta não será tolerado. A omissão, nesse caso, é cumplicidade.
A escola precisa voltar a ser o que sempre deveria ter sido: um espaço de proteção, de aprendizado e de respeito. E a polícia precisa lembrar que sua autoridade nasce da lei, não da força descontrolada.
Quando um estudante apanha dentro da escola pelas mãos do Estado, não é só um jovem que é ferido. É o próprio futuro que leva um golpe.







