Investigado como dono oculto de jatos do PCC, presidente do União surge em áudio: “tenho 5”

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Principal beneficiado pela “PEC da Bandidagem”, Antonio Rueda é investigado pela PF como suposto dono oculto de jatinhos usados por líderes do PCC.

Por Plinio Teodoro, compartilhado de Fórum




Foto: Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Créditos: Flickr / Progressistas

Investigado pela Polícia Federal (PF) como possível dono oculto de jatinhos usados por dois líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, aparece em áudio de um correligionário que diz ter presenciado uma conversa em que ele teria dito que tem 5 aeronaves e que gostaria de ter 10. Após as denúncias, nesta semana, Rueda afirmou não ter aviões.

O áudio, revelado em reportagem do site Metrópoles, foi captado durante uma visita de Rueda a Rio Branco, no Acre, durante a campanha eleitoral de 2022. 

De carona na caminhonete do então presidente do PSL no Acre, Pedro Valério, Rueda fala ao telefone, segundo a reportagem, com o então vereador paulistano Milton Leite (União) sobre a locação de uma aeronave.

“Na volta do almoço, o Rueda recebeu uma ligação de alguém, e eu não sei o nome da pessoa, e a pessoa estava querendo saber dele como é que fazia o cálculo para poder pagar… o valor relativo a um jatinho”, conta Valério.

Rueda então teria sido indagado pelo ex-deputado federal Júnior Bozzella (União-SP) sobre compras de aeronaves.

“Aí o Bozzella perguntou pra ele: ‘Tá comprando outro jatinho?’. Ele falou: ‘Tô. Eu tenho cinco, quero chegar a dez’. Aí o Bozzella perguntou: ‘Mas é um investimento tão bom assim?’. Ele falou: ‘Cada jatinho desse deixa quinhentos paus por mês. Eu quero ter dez’”, relata o política acreano.

“Inclusive ele estava voando num jatinho desses que era dele. Ele voava no jatinho dele, mas quem pagava as horas de voo era o PSL. Era um negócio da China para ele. O avião dele alugado para o próprio partido”, emenda Valério.

Segundo o site Metrópoles, um dos jatinhos, um Cessna 560XL de matrícula PRLPG, está em nome da empresa Magik Aviation, que divide o mesmo presidente com a Bariloche Participações S.A. As duas empresas pertencem a dois empresários do ramo de mineração: Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak.

Donos do grupo econômico Fource, os dois já foram alvo de busca e apreensão na Operação Sisamnes, da PF, que investiga a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Bariloche Participações S.A opera um outro fundo, também chamado Bariloche, que tem capital no fundo Viena – do banco Genial – e é alvo da investigação Carbono oculto por ser parte do esquema de fundos “caixa-pretas” usados para lavagem de dinheiro, inclusive do PCC.

Além do Cessna 560 XL, as outras aeronaves seriam um Cessna 525A; um Raytheon R390; e um Gulfstream G200, avaliado em US$ 18 milhões – quase R$ 100 milhões.

Jatinhos do PCC e PEC da “Bandidagem”

Investigadores da PF acreditam que Rueda seja o verdadeiro dono de 4 das 10 aeronaves operadas pela empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) que eram usadas por Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, líderes do PCC que estão foragidos. 

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, disse o piloto Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, em entrevista ao ICL Notícias. Ele diz ter contado todo o esquema aos investigadores.

Em nota, Rueda “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito” e que “nunca participou da compra das aeronaves”.

Articulador com Ciro Nogueira da federação entre União e PP, que controla 109 deputados – maior bancada da Câmara – e 15 senadores, Rueda foi o principal beneficiado com um “jabuti” colocado na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da blindagem – apelidada de PEC da Bandidagem -, que estende o foro privilegiado a presidentes de partidos com representação no Congresso Nacional.

O presidente do União, que não tem mandato legislativo e não ocupa cargo na esfera pública. Portanto, pela legislação atual, não teria foro privilegiado e, tampouco, precisaria do escrutínio do Congresso para ser alvo de investigação – que é o que prevê a PEC.

Saída do governo

Nesta sexta-feira (19), o ministro do Turismo, Celso Sabino, informou ao presidente Lula que vai entregar o cargo. O anúncio ocorre após a direção do União Brasil dar um ultimato para que todos os filiados deixassem a gestão federal.

O desembarque foi determinado após Rueda e Ciro Nogueira acusarem o governo de estar por trás da entrevista do piloto Mattosinho ao site ICL Notícias, que aponta um suposto elo entre os dois e lideranças do PCC.

Sem apresentar provas, Antônio Rueda acusou o governo federal de fornecer informações sigilosas à imprensa com o objetivo de desgastar a sua imagem.

Na entrevista, Mattosinho ainda confirmou ter levado uma sacola, que teria dinheiro vivo, a Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL).

“Aquela sacola de papel me foi apontada por pessoas da empresa como uma sacola que deveria ser especialmente cuidada. E esse tipo de comunicação se dava para que nós entendêssemos que ali continha dinheiro”, afirmou sobre o alerta que teria sido dado pelo dono da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), Epaminondas Chenu Madeira.

Em seguida, o piloto narra o que aconteceu quando Beto Louco levado por ele à Brasília com a sacola. “No momento do desembarque [em Brasília], eu ouvi o Roberto Leme dizendo, na verdade, perguntando se estava tudo certo com o Ciro, se o Ciro já estava os aguardando, e a forma que ele se referiu foi o senador Ciro”.

O piloto diz que filmou a sacola “no intuito de demarcar que eu não estava maluco”. O vídeo foi feito no dia em que ele teria realizado o voo para Brasília, em 6 de agosto de 2024.

O voo foi feito no bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG. Segundo Mattosinho, o jato pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Beto Louco e Primo ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas Chenu Madeira na compra de outros dois jatinhos.

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