Israel ataca Catar para eliminar lideranças do Hamas

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Governo catari acusa o regime sionista por agressão ilegal e é apoiado por outros países da região; não há informações sobre mortos e feridos

Por Rocio Paik, compartilhado de Ópera Mundi




Foto: Israel assume ataque aéreo contra prédios residenciais em Doha, no Catar
X/Muslim

Após relatos de explosões em Doha, o Exército de Israel anunciou ter lançado um ataque aéreo nesta terça-feira (09/09) visando “lideranças do Hamas”. Momentos depois, as autoridades do Catar publicaram um comunicado condenando “nos termos mais fortes” a ofensiva do regime sionista, destacando ter atingido prédios residenciais de sua capital, onde vários membros do escritório político do Hamas estão abrigados.

Segundo uma fonte do grupo palestino ouvido pela emissora catari Al Jazeera, as lideranças do movimento foram alvejadas quando discutiam a proposta de cessar-fogo em Gaza apresentada pelos Estados Unidos. Até o momento, não há detalhes sobre a extensão de danos e das vítimas.

Ao confirmar o ataque, o Exército israelense detalhou ter sido uma ação coordenada com a agência de segurança interna Shin Bet, que teve supervisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu; o ministro da Defesa, Israel Katz; o chefe interino do Shin Bet, Mem; o chefe da Diretoria de Inteligência das Forças de Defesa, major-general Shlomi Binder; entre outros. O órgão ainda disse que se tratou de uma ofensiva contra “membros não identificados do Hamas” que lideraram as atividades do grupo “por anos”.

O episódio ocorre dias depois que o chefe do Exército israelense, Eyal Zamir, ameaçou assassinar líderes do Hamas que vivem no exterior, e horas depois que o ministro das Relações Exteriores do regime sionista, Gideon Saar, disse que o governo de Netanyahu aceitou uma proposta de cessar-fogo em Gaza oferecida pelos EUA.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansari, disse por meio de comunicado que o país “condena nos termos mais fortes” o “ataque criminoso” israelense. A pasta enfatizou que as forças de segurança, a Defesa Civil e as autoridades competentes começaram, de imediato, a apurar o incidente e a tomar as medidas necessárias para garantir a segurança civil.

“Este ataque criminoso constitui uma violação flagrante de todas as leis e normas internacionais e uma séria ameaça à segurança dos catarianos e residentes do Catar”, diz a nota. “O Estado do Catar afirma que não tolerará esse comportamento imprudente de Israel e sua contínua interferência na segurança regional”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, classificou o ataque como uma violação “perigosa” do direito internacional. “Esta ação extremamente perigosa e criminosa é uma violação grosseira de todas as regras e regulamentos internacionais, uma violação da soberania nacional e integridade territorial do Catar”, disse.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita informou que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, ligou para o emir do Catar, xeque Tamim Al Thani, oferecendo “total apoio” e expressando “condenação ao flagrante ataque israelense ao Estado irmão do Catar, que constitui um ato criminoso e uma violação flagrante das leis e normas internacionais”.

O governo dos EUA não fez comentários imediatos após o noticiamento do ataque. A Al Jazeera consultou fontes militares norte-americanas baseadas na região, que afirmaram não terem tido ciência da ação. Já veículos israelenses, como The Times of Israel, dizem, por outro lado, que o presidente Donald Trump tinha conhecimento prévio do plano.  A mídia destaca, ainda, que dois dias atrás, o republicano emitiu um “último aviso” ao Hamas sobre “as consequências de não aceitar” um tratado de cessar-fogo.

Total autoria de Israel

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, publicou um comunicado assumindo totalmente a autoria do ataque, mas sem mencionar que ele foi executado em Doha.

“A ação de hoje contra os principais chefes terroristas do Hamas foi uma operação israelense totalmente independente”, disse o órgão. “Israel iniciou, Israel conduziu e Israel assume total responsabilidade”.

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