Tempos difíceis estes que vivemos. As guerras vão tomando dimensões mundiais e apavoram a humanidade.
Por Simão Zygband, compartilhado de Construir Resistência
Arte: Ella Baron – The Guardian
Em meio a tantas controvérsias, decidi pinçar nas redes sociais pensamentos de amigos judeus de facebook (ou não) sobre a questão iraniana e palestina.
É só uma amostra de como eles vêm este tema tão complexo. É claro que não se pretende contentar todo mundo.
Em tempo: não foi dado espaço para judeus intolerantes, que defendem o massacre de palestinos e apoiam o governo assassino de Benjamin Netanyahu
Sobre o Irã
Quanto mais a gente lê as redes sociais, mais a gente fica espantado com a ignorância.
Netanyahu é sim um criminoso, que merece ser julgado e condenado por suas ações em Gaza.
Mas achar que os aiatolás do Irã e os seus seguidores são heróis é burrice e falta de conhecimento da história.
O regime iraniano é uma ditadura teocrática, que tortura e mata seus opositores, inclusive mulheres e lgbt, censura à cultura e financia o terrorismo. Muitos iranianos gostariam de derrubar esses fanáticos.
Bruno Blecher – jornalista
Sobre o rompimento com Israel
Agora ficou claro: o que atrapalha o Brasil não é a crise do INSS, do IOF, da taxa das blusinhas, do arcabouço fiscal, das emendas parlamentares, dos juros altos; o que atrapalha o Brasil é Israel. É só romper as relações que tudo melhora.
Sobre Direitos Humanos no Irã
Jamais imaginei que, aos 76 anos, veria pessoas de esquerda, tradicional defensora dos direitos humanos, defender com unhas e dentes um regime em que mulheres, gays e outras minorias não têm direito algum.
Os que defendem o Hamas defendem os aiatolás. Nenhuma surpresa.
Alex Solnik – jornalista
Sobre o ataque do Hamas
O ataque terrorista em 7/10 foi uma megaoperação por terra, mar e ar. Precisou de meses e meses de planejamento e treinamento. Israel tem serviços secretos de primeira, exporta serviços de segurança e vigilância. Conseguiu plantar a bomba que matou Hanie em Teerã, plantou milhares de pagers-bomba para o Hezbollah…o que você acha que aconteceu para o sucesso dos terroristas em 7/10? Não é uma pergunta retórica.
Sobre o alerta de ataque do HamaVou me basear em informações reveladas pela Kan, emissora pública israelense e repassar as divulgadas pelo insuspeito The Times of Israel. Elas falam sobre o relatório dos serviços secretos da Divisão de Gaza do exército de Israel, emitido em 19/9/2023, revelando o mega ataque que o Hamas pretendia fazer. O segundo é sobre a reação horrorizada do líder da oposição Yair Lapid após reunião de emergência, em 20/9/2023, no dia seguinte à revelação de tamanha gravidade, em que Netanyahu simplesmente ignorou a ameaça revelada. Não subestimou: ignorou.
José Marcos Thalenberg – médico
Sobre os reféns Nada mais espanta vindo desse canalha, desde que ficou claro que ele permitiu a ação do Hamas em 2023 para garantir o pretexto pra guerra. Quem pensa que ele tem o bem de Israel e dos judeus em mente está se iludindo.
Daniel Zylberman – músico
Sobre militares israelenses se recusarem a lutar
E ainda tem gente que insiste em defender o mito do “exército mais ético do mundo”. Se dentro das Forças Armadas há esta reação é porque o inventário de crimes de guerra e atos de barbárie já ultrapassou todos os limites. Cinco países acabam de impor sanções a 2 ministros trogloditas de Netanyahu. É muito pouco. Se a carnificina em Gaza e a repressão continuada na Cisjordânia estivessem acontecendo contra, digamos, populações francesas ou finlandesas, a reação mundial seria instantânea e bem mais contundente.
Jaques Gruman – engenheiro
Sobre as usinas atômicas iranianas
“Ninguém constrói centrífugas a 100 metros de profundidade no interior de uma montanha pra fazer radioterapia.”
Fordow, o bunker nuclear iraniano enterrado sob rochas e aço, exige uma bomba GBU-57 para ser destruído – armamento que só os EUA possuem, e que só pode ser lançado por um bombardeiro invisível em forma de morcego: o B-2 Spirit.
Mas nos querem fazendo de ingênuos: juram que é tudo para fins pacíficos. Claro. Como também juraram que os túneis do Hamas eram creches subterrâneas.
A verdade?
O Irã está a centímetros técnicos de virar potência nuclear bélica. E faz isso escondido, blindado, protegido por camadas de cimento, urânio enriquecido a 60%, negacionismo diplomático e proxies terroristas – Hezbollah no Líbano, Hamas em Gaza, Houthis no Iêmen.
E Israel? É um minipaís, menor que Sergipe, com apenas 15 km entre a Cisjordânia e o Mediterrâneo. Quase todos os seus centros vitais estão ao alcance de foguetes de curto alcance – isso mesmo: o equivalente à distância da Marginal Pinheiros à Avenida Paulista.
O Irã tem profundidade geoestratégica. Israel tem urgência. Um pode errar. O outro não.
Por isso, quando Israel ataca, dizem que “desestabiliza o Oriente Médio”. A pergunta certa é: em qual momento exatamente o Oriente Médio foi estável? Quando Saddam usava gás sarin? Quando Assad bombardeava hospitais? Ou quando Khamenei prometia apagar Israel do mapa?
O que Israel fez foi escancarar o que muitos fingiam não ver: que o programa nuclear iraniano é tudo, menos inofensivo. A diferença entre a medicina e a bomba é o tempo de centrifugação – e a mentira dos aiatolás está rodando a mil rotações por minuto.
Júlio Benchimol Pinto – acadêmico
Sobre a conveniência do ataque do Hamas
As posições extremadas tem colaborado com carnificinas de lado a lado, sobretudo de palestinos. Não seria hora deles recuarem e cessar-fogo? Para que sacrificar tantas vidas inocentes. Evidente que o ataque do Hamas era de um poodle enfrentando um buldog. A morte anunciada. Um suicídio. E o que o mundo ganhou com isso? Trump deixou de ser Trump e Netanyahu deixou de ser Netanyahu? Em qualquer ataque deve se medir consequências. O mundo está pagando um preço muito alto para se desgastar israel. O ataque do Hamas foi um erro estratégico que pode levar ainda à maior mortandade islâmica. Estão pagando para ver.
Simão Zygband – jornalista
Sobre a Resistência palestina
Israel somente poderá ser parado com a confluência de três fatores: a resistência palestina, a resposta militar de países como o Irã e o isolamento internacional. Somente assim o regime sionista poderá ser derrotado ou obrigado a uma transição, como ocorreu na África do Sul da era do apartheid.
Sobre o ataque dos EUA ao Irã
O ataque dos Estados Unidos ao Irã representa uma agressão ilegal, violando tanto a Carta da ONU quanto a Constituição norte-americana, pois o Congresso não aprovou declaração de guerra. A aliança entre os EUA e o regime sionista ameaça a humanidade. Ambos são inimigos dos povos.
Por ironia do destino, coincidência ou não, os Estados Unidos atacaram o Irã no mesmo dia 22 de junho, pelo fuso horário local, em que a Alemanha nazista, em 1941, atacou a União Soviética. Para lembrar: nas primeiras semanas desse ataque, Hitler e seus sicários celebravam antecipadamente aa vitória.
Breno Altman – jornalista
Sobre posicionamentos e definições
Meus posicionamentos continuam iguais: é genocídio, pode chamar de holocausto, é fascismo, limpeza étnica, apartheid. Continuo sendo um judeu antissionista. O problema de quem não tem inteligência ou honestidade intelectual e vem distorcer o que eu digo não é meu.
É bem simples: eu não falei contra o contra-ataque iraniano (também não defendo o seu regime antes que alguém venha com essa, e o assunto não é esse).
Eu me posicionei desde o primeiro segundo contra o genocídio, chamei de genocídio desde o instante em que esse genocídio começou. Eu sou antissionista provavelmente há 10 anos (eu não sabia nomear).
Agora, eu acho desprezível e sempre acharei comemorar morte de civis. Mesmo que em guerras, guerras mundiais como possivelmente será essa, isso seja inevitável. Eu acho desprezível ficar dentro de uma tela comemorando prédios bombardeados e vidas mortas, vibrar com uma guerra dessa proporção.
Não há nada pra vibrar, porque logo o Trump e os EUA e todos os países que legitimaram o genocídio e mesmo os que não estavam mais, vão agir pelo “direito de defesa” de Israel, liquidar a situação com o Irã e terminar de liquidar com Gaza, levar a cabo a solução mais escrota de todas, a de Trump.
Pedro Schwarz – assistente livreiro







